segunda-feira, 16 de julho de 2007

Copinho de leite (a história da lactose)

Devo começar por esclarecer que nunca deixo de usar palavrões. Sempre que tenho oportunidade uso um, ou vários de rajada, mais ou menos calculadamente, consoante o fodida que esteja. Aproveito ainda para, em jeito de biografia - mas nada de muito familiar, já que os meus irmãos ainda não têm legitimidade intelectual para utilizar os palavrões adequadamente e dentro de um contexto mais ou menos a propósito - perguntar algo à minha coníssima melhor amiga, P.: será, minha querida santa puta (não vale lembrarmo-nos de Pasolini só quando o rei faz anos e vai nu de cenoura espetada no cu) que fomos nós que passámos ao lado do distintíssimo director do Sol (jornal que eu nunca leio, apesar de estar gratuito online, a não ser quando certa e determinada pessoa me avisa de coisas que lá valem a pena), soprando algumas valentes e delicadas caralhadas ao vento que passava?
Pois é, parece que José António Saraiva tem uma grande aversão a palavrões. Acho óptimo, visto que também eu tenho uma enorme aversão a J.A.S. Parece também que, quando quer que um dos jornalistas da sua redacção se despache, em vez de «Anda lá com essa m…..», J.A.S. dirá, com certeza, «Anda lá com essa gaita» o que, do ponto de vista vocabular, é absolutamente obsceno. Eu cá, tenho uma ligeiríssima aversão às pessoas que não chamam as coisas pelos seus nomes. Aquelas pessoas que nunca sabem o nome de ninguém e que, em vez de dizerem «Mande-me cá ao gabinete a desgraçada da Joaninha» dizem qualquer coisa no género de «Deixe cá ver a estagiária», como se não fosse menos ofensivo chamar desgraçada à Joaninha. Se eu quero dizer que X é um merdas, não direi com certeza que é um pulha ou um biltre. É um merdas, simplesmente. Os outros que se fodam. Claro que não uso palavrões perto de determinadas pessoas, mas só porque é humilhante utilizar palavrões comuns, como os poucos que eu sei, à frente de pessoas que têm idade para os ter inventado.