terça-feira, 10 de julho de 2007

Nunca gostei de violência nos desenhos animados. Mal os Power Rangers cerravam os punhos, já os seus adversários estavam a cair no chão, que faiscava com um atraso de 10 segundos em relação aos tiros que recebia. Os Transformers também eram muito barulhentos e os bonecos do Dragon Ball tinham a sua maior violência no facto de se poderem passar três episódios sem que uma luta entre eles tivesse um desenvolvimento maior do que o mexer de um único dedo (palmas, no entanto, para o Tartaruga Genial, que tinha voz de bagaço e gostava de meninas novinhas). Só a marcialidade artística das Tartarugas Ninja (e o pormenor incrícel de se chamarem Leonardo, Michelangelo, Donatello e Raphael) e as motas dos MotoRatos me comoviam alguma coisa, e as primeiras conseguiram o feito inadmissível de estar no rótulo de um leite com chocolate em garrafa de litro como eu nunca mais bebi nem encontrei nenhum igual. Ren e Stimpy eram maravilhosos de tão nojentos (peidavam-se, vomitavam, arrotavam, bebiam água da retrete e insultavam-se), mas o que eu não perdia mesmo eram os episódios, aos sábados de manhã, do Doug Funny (e da sua namorada, a Patty Maionese), que era um miúdo tão normal e previsível que, quando abria o armário, tinha a roupa toda igual. Também era desastrado e não me lembro de o ver bater em ninguém, embora me lembre nitidamente de como se irritou naquela caça aos gambozinos.