terça-feira, 31 de julho de 2007

Vida

Inspirada por este interessante post - não me venham depois dizer que interessante é a tal palavra que serve toda e qualquer possibilidade de sentido no discurso-, peço perdão, sob a pena previsível de ser ridícula, mas digo que a morte e a velhice são coisas horríveis (e o bold é de uma indelicadeza tacanha). A morte só é boa e alivia porque há vida, e a velhice só conforta quem nunca viveu. Acho preferível, depois de ter achado o contrário durante muito tempo, o lutozinho à distância hermenêutica. Comover-se como os outros (ainda por cima com duas criaturas bonitas - um sueco e um italiano) é saudável e só quem se suicida e quem morre de medo de morrer é que merece, da minha parte, o reconhecimento verdadeiro de um ânimo superior perante a puta da morte - poderia acrescentar nesta categoria as pessoas que morrem a mudar uma lâmpada dentro da banheira, mas nem sempre é bom confundir o suicídio com a estupidez; e não, as pessoas que tentam e não conseguem não se integram na categoria - faço, por isso, minhas (oh!, viva a mestria na presunção e o vermelho sou eu a mandar-me à merda) as palavras de Álvaro de Campos. Só é bom envelhecer quando não há um retrato atrás do biombo. O problema é que ele está lá sempre, mas só alguns é que o sabem.