segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Vou falar de sono, a sério. Há uns meses, todos os meus sonhos eram Fellini, Fellini a preto e branco, eram estranhos, morria muita gente de uma morte mais ou menos morta, eram absurdos, estúpidos, comoventes, graficamente bonitos, algumas vezes sujos mas sempre Fellini, sempre uma estrada curta e uma curta estrada e as bochechas da Giulietta Masina. Agora, todos os meus sonhos são uma ou outra parede branca, uma ventoinha que dá ruído a um escritório abafado, uma barriga que dá horas, tic tac tic tac, uma folha de cálculo vazia, ena olha a quantidade de rectângulos vazios à espera de sentido, duas ou três anedotas e a boleia de um senhor muito sorridente que ouve e assobia a Romântica FM com devota diligência. Ultimamente, como vêem, sonho com o meu trabalho. Hoje, neste Verão part-time, os meus sonhos são Manoel de Oliveira: intermináveis.