sexta-feira, 27 de abril de 2007

África, mãe Cuba.

- Mana, o que quer dizer "che"?
- Não sei, depende do contexto.
(verídico, ouvido num comboio da linha de Sintra)

Hoje vi uma t-shirt que dizia

«Ok, I'm here. What are the other 2 wishes?».

E outra que dizia «I'm too sexy for my shirt.»

O meu amigo

não gosta do endereço deste blogue. Acha pretensioso. Mas não fui eu que inventei.

Já vos disse que não me interessam os louros?

Tenho pensado nos morangos de Bergman:

cinzentos, doces, lentos, finitos. E, apesar de tudo (de tão chatos e tão suecos), tão transgenicamente humanos.

Chamem-me submissa.

Adoro quando alguém que eu não posso tratar por tu me trata por tu.

The Mousetrap (in Hamlet Act 3, Scene 9)

- Lady, shall I lie in your lap?
- No, my Lord!
- Do you think I meant country matters?
- I think nothing, my Lord.
- That's a fair thought to lie between maid's legs.
- What is, my Lord?
- Nothing.
- You are merry, my Lord.
- Who, I?

O artigo da Wikipedia

sobre Shakespeare tem 27 linhas sobre a sua sexualidade. Prometo não ler.

Pequena nota sobre como se deve dizer um texto de Shakespeare

  • Ao dizer-se um texto de Shakespeare, não convém dar-lhe uma entoação especial, porque isso é exagero e exibicionismo e meio caminho andado para se ser canastrão (este ponto foi escrito propositadamente para usar a palavra "canastrão", de que tanto gosto).
  • Os textos de Shakespeare têm valor em si mesmos e são capazes de derrubar mil toneladas de betão, mesmo que sejam vomitados.
  • Os textos de Shakespeare não precisam de trejeitos de sobrancelha nem de vestes vistosas ou de jóias brilhantes.
  • Os textos de Shakespeare nem sequer precisam de palco.
  • Os textos de Shakespeare estão escritos numa linguagem perfeita para a época na qual foram escritos.
  • Não convém dizer, hoje, um texto de Shakespeare como se dizia no século dezasseis. Primeiro, porque as pessoas vão prestar atenção em tudo, menos no texto de Shakespeare - a menos que não desistam de o entender. Depois, porque não faz sentido não adaptar (minimamente, pelo menos) à linguagem dos nossos dias (ou devo dizer "língua"?) aquilo que Shakespeare escreveu. Ele escreveu para ser entendido, como todos escrevem, aliás.

quinta-feira, 26 de abril de 2007

Aceito ou não aceito?

Um rapaz chamado Adílio Lopes mandou o Hi5 dizer-me que quer ser meu amigo. Eu acho que ele não sabe... nem tem, com certeza, um gato daquele tamanho.

Blended-learning

Não escolher.

e-learning

Nunca escolher quem nos faz sentir inteligentes e bonitos, ou apenas uma das duas coisas.

Learning-by-Doing

Nunca escolher quem nos faz sentir inteligentes. Escolher quem nos faz sentir bonitos.

quarta-feira, 25 de abril de 2007

Borges

Pensei criar um blogue de areia, mas depois era uma chatice estar sempre a mudar tudo.

Sei que existe,

algures, uma senhora chamada Abundância do Presépio.

A outra tese

do David Antunes também parece deliciosa. Começa com Wittgenstein, continua com J.L. Austin, tem notas de rodapé como eu gosto (quase maiores do que os textos, porque a nossa vida também é uma nota de rodapé de uma história de aventuras - acho que alguém já disse isto antes de mim (ah pois foi, disseste-mo tu ontem mas só a parte das aventuras), mas enfim.) Quando tiver tempo leio.

Breve maltratado das coisas que não existem [7]

Ando a ler uma tese com um capítulo chamado «Emoções, tragédia e pequeno almoço».

Depois disto,

qualquer pessoa com mais de 50 anos está autorizada a mandar-me à merda.

Sim, a Internet não impediu

que Cuba continuasse serena.

Os capitães de Abril não fizeram nada de mais

porque o Estado Novo nunca sobreviveria à blogosfera.

25 de Abril, dia de reflexões profundas.

O problema de Portugal depois do 25 de Abril não tem nada que ver com falta de democracia. É mais excesso de democracia e falta de liberdade, porque democracia não é liberdade e liberdade não é verborreia. Só vos peço que não me perguntem por que é que eu falo tanto.

Onde é que tu estavas no 25 de Abril?


Pois.

Talvez não.

«A Fúria das Vinhas»

também.

Uma obra chamada «Ética Nicomaqueia»

está destinada ao fracasso.

terça-feira, 24 de abril de 2007

there's only one like you [ou das coisas que eu gosto de dançar - 3]

Apesar da suástica,

nunca poderia deixar Heidegger longe do meu círculo de Viena.

Arendt e Heidegger (conclusão)

Sem futuro, mas com um passado do caraças. Daqueles que nem o Carbono 14 consegue entender.

Ser-aí quer dizer que somos feitos de palavras.

E se alguém nos tentar apagar vai conseguir, porque também estamos escritos a lápis.

Arendt e Heidegger

É a isto que eu chamo uma relação sem futuro.

O Ser-aí

Onde?

Dasein

Quem?

Classe média

Passar um domingo a jogar à sueca é equivalente a passar um domingo no IKEA - desde que haja dinheiro para gastar.

A minha amiga S.

inventou o provérbio «Enxada certeira, rego na eira». E depois ficou chocada por eu não achar piada ao cinema de Rainer Fassbinder.

segunda-feira, 23 de abril de 2007

De há uns tempos para cá

é sempre um prazer ler o editorial do DN.

Tomorrow we'll see (o último post da semana com título em swahili )

Como é que se faz para se ouvir o despertador?

Conheci uma pessoa

para quem não fazer nada era «fazer bolas com o focinho.»

«To be, or not to be: that is the question»

Não ser ou não ser: eis a questão.

O Hamlet 2000

vive no Hotel Elsinore e em vez da filosofia de caveira pratica a filosofia de clube de video. É esquisito, mas vejam (e não percam a Eartha Kitt na limousine).

Hamlet,

o dinamarquês que não suportaria viver viver em Portugal.

Dramaturgia doméstica

Uma flor sem jarra é como uma Ofélia sem rio.

«I am thy father's spirit.»

O Sonasol que se poupava se o Hamlet não tivesse acreditado nisto.

sexta-feira, 20 de abril de 2007

Jazz com Pretas [5]

Aparte

Espero que o professor Marcelo não me escreva a dizer que afinal lê mesmo aqueles livros todos.

tic tac

Tenho lido pouco (que preste), ultimamente, mas apetece-me ler, em breve, nalgum lado, um elogio à paciência: a mais bela e sovina das qualidades humanas.

A Longa Espera

- Gostas daquele indivíduo?
- Até agora, nunca tive razão de queixa.

Breve maltratado das coisas que não existem [6]

Eu, na verdade, não acredito na desilusão. O que alguma vez foi continuará sempre a ser. É para estes efeitos, de submissão inexorável ao tempo, que temos memória. O temperamento faz as vezes do engano - a teimosia serve para nos convencermos de que estamos desiludidos. É muito (demasiado) moderno, isto de guardar as tempestades em vez dos ventos.

Já não vai ser a mesma coisa. (take 2)

Inibo a minha vocação para a asneira escrita desde que soube que duas ou três pessoas lêem o meu blogue. Mas isto sem elas não tem piada nenhuma, são as únicas.

Post envergonhado

Carlos Vaz Marques foi, afinal, entrevistado na Radar. Afinal, Argentina Santos não recusou que, na entrevista, fosse citada a sua idade: proibiu o entrevistador de a citar. O caso muda de figura. Se me proibissem, eu não teria coragem de dizer que já não se fazia a entrevista. O que vale é que eu não tenho de fazer entrevistas - o que é óptimo, porque assim vocês também não têm de as ler, de as ver e de as ouvir.

Foi o próprio Carlos Vaz Marques que me disse isto. Sim, ele existe! Alertaram-no para o meu comentário. Gostava de saber quem foi o sacana, com todo o respeito.

quinta-feira, 19 de abril de 2007

Já não vai ser a mesma coisa.

Há uns dias ouvi, na rádio (lamento não saber qual era o posto), uma entrevista a Carlos Vaz Marques, na qual dizia ter recusado fazer uma entrevista à fadista octogenária Argentina Santos porque ela recusou deixar que o jornalista citasse a sua idade no início da entrevista. Quando as pessoas me têm numa conta maior do que aquela que mereço, faço logo por parecer ainda pior do que sou. Passei vários anos a admirar Carlos Vaz Marques e, como em todos os amores, quanto mais durou, pior foi a desilusão.

Nem aquelas

que querem visitar Nova Iorque antes de Praga.

Samba, Jazz, Mambo, Tango, Fado

Não percebo as pessoas que nunca quiseram ir a África.

Somos todos assassinos

Uma vez, um professor meu que quero mas não devo nomear aqui, falou-nos de Columbine e disse a coisa mais inteligente e menos simpática que se pode dizer de Columbine e de histórias como a de Columbine: os rapazes de Columbine mataram porque queriam ser famosos. Se o rapaz de Virginia Tech mandou a cassete para a NBC, também devia querer ser famoso. Por isto, disse o meu professor, falar do crime é consumá-lo. Mas nós também só pensamos com as palavras.

Mentira:

conheci uma pessoa simpática e inteligente ao mesmo tempo. Mas não era de cá e começou por ser antipática.

Agora em português

«Ganhe dinheiro com o seu blog».

Generalização precipitada

Conheço pessoas que não gostam de gente simpática. Eu gosto, se não for demasiado simpática. Eu às vezes sou demasiado simpática. A simpatia é a qualidade ideal para quem, sendo simpático, não consegue transparecer nenhuma outra qualidade que se pareça com a inteligência. Para se ser verdadeiramente inteligente é preciso ser-se antipático. Eu prefiro ser inteligente em casa.

Se "vida quotidiana"

não é uma expressão redundante, haja alguém que me explique como é que se pode viver só de vez em quando.

Post devidamente franquiado

Para questões de privacidade, o Blogger indica o seguinte endereço:

Questões de privacidade
Google Inc.
1600 Amphitheatre Parkway
Mountain View CA 94043 (USA).

Vou escrever a perguntar se posso postar a partir do pâncreas.

Nativa digital,

dou por mim a entrar no Google sem saber por que procurar. Sinto-me mais uma náufraga digital.

Rita, minha irmã Rita

A minha irmã de 9 anos ofereceu-me, no Natal, um caderninho pequenino, com uma capa de tecido acetinado e uns bordados em forma de cornucópia. Um bocadinho piroso. Mas gastou todas as suas economias nele. Comoveu-me. Ainda não o usei. Talvez comece amanhã. Não quero ser como aquelas pessoas que só bebem nos copos de cristal nas festas familiares, como o Natal. Ainda vou a tempo: ela só vai na página 10 do «Rosa, Minha Irmã Rosa».

Não é só o Ricoeur que sabe disto

É injusto dizer «eu não nasci para isto». Nenhum de nós nasceu.

Se eu aqui estivesse a ler o Público isto não tinha metade da piada.


Gosto do Metro como quem gosta de concentrado de tomate.

À luz da vela.

Há uns anos, quando faltava a electricidade, as pessoas entretinham-se a jogar às cartas. Hoje, entretêm-se a telefonar para o piquete da EDP e a ir a casa dos vizinhos saber se a eles também lhes "falta a luz".

and the river bank talks of the waters of March (tenho a impressão de que já tinha dito isto)

Se falar é agir logocentricamente, dizer que se perde alguém é uma atitude demasiado civilizacional e especulativa para ser logocêntrica. Bárbaro bárbaro é saber que o problema de se perder alguém é o problema de nunca se ter tido essa pessoa. Por outras palavras, perder alguém é deixar que esse alguém fique connosco. E convenhamos que isso é uma merda.

quarta-feira, 18 de abril de 2007

Breve maltratado das coisas que não existem [5]

Quando tinha 12 anos e um rol considerável de piadas e tiradas abocarradas, o rapaz que eu considerava ser a pessoa mais inteligente do mundo dizia-me, em jeito de insulto: «És tão previsível!». Só hoje percebo que era mesmo previsível e por que razões o era. Com tudo sempre a mudar à minha volta, precisava de um simulacro de coerência. Mais tarde, comecei a perceber que o próprio mundo é um simulacro de coerência; eu só tentava não ser diferente do mundo.

Até que estudei um pouco de Lógica* e, finalmente, percebi mais ainda: no mundo, há muito de válido e pouco, ou nada, de verdadeiro.

*Mentira, não estudei nada. Nunca soube fazer uma árvore semântica e o que fiz no exame só deu para o 10. Mas ter percebido a parte da validade/veracidade dos argumentos já valeu por 3 semestres.

A minha previsibilidade

consiste em não aparecer, pelo menos nas alturas certas ou a tempo de ainda não estar atrasada.

Eu nunca tive um Moleskine:

não é porque não precisasse de registar a minha inspiração, mas escuso de estar a gastar tanto dinheiro com uma coisa que, como eu, é sempre tão previsível.

A inspiração

só vem quando não precisamos dela. Ou seja, quando não temos o Moleskine por perto.

Nunca percebi a expressão

"ficar com os louros". Primeiro porque sempre gostei deles morenos. Depois porque estamos num mundo de homens e o natural seria que eles preferissem "ficar com as louras".

Censura prévia

Quando não queremos que o nosso interlocutor perceba que estamos a querer dizer alguma coisa com o que estamos a dizer, basta não dizer nada que se perceba. Falar bem do interlocutor é meio caminho andado para ele perceber aquilo que nós não queríamos que ele percebesse .

Censura

Às vezes é preciso dizer muito para não se dizer nada. E ainda é preciso dizer mais para se provar que não se disse nada ou, ainda melhor, que não se queria dizer nada com alguma coisa que se disse.

Eu vou.

O melhor músico pop do mundo (designação redutora e insuficiente) vai actuar em Coimbra, dia 12 de Maio.


Que susto.

O Art Sullivan está a "cantar" com a Ágata no SIC 10 Horas.

terça-feira, 17 de abril de 2007

Aceclofenac [Airtal], 100 mg, Comprimido revestido por película, Blister, 20 unidade(s) | Posologia: 1 cápsula após almoço ou jantar

Cotovelada violenta na porta do comboio.
Quinze minutos a ver estrelas.

Taxas moderadoras: 8,50€ + 1,70€ da radiografia.
Pequeno traumatismo no cotovelo.
Gelo, anti-inflamatório (que já tinha em casa).

Graças a Deus que o sr. ministro Correia de Campos é uma pessoa saudável.

O Berimbau de 6 cordas de Edu Lobo

O último post foi muito calminho, mas se procurarem no YouTube vão ver como o violão de Baden Powell era, sei lá, indescritível. Mas sabem que mais? Sempre me preocupou esta coisa de os mestres serem superados pelos discípulos.

Já agora, para quem não curou a ressaca, Baden Powell e os violões de Chopin

* Não, não é o gajo dos escuteiros (ou escoteiros?).

«O Último Justo»

Há muito tempo que não lia um livro tão bonito. Por isso é que nunca mais o acabo. Parece que tenho medo.

Insónia (post mau, sincero, previamente ensaiado)

Nas horas em que o Marcelo Rebelo de Sousa não dorme está também a perder uma boa oportunidade para estar calado.

Sou uma blogger hemorrágica

porque ainda não sei estancar a falta de sono.

«Amanhã, sem falta!»

Mais uma oportunidade para adiar as coisas.

Muitas crianças, com vastos conhecimentos em linguagem telegráfica,

ainda confundem "xixi -> cama" com "xixi na cama". E ainda dizem que a língua não é uma grande puta.

Video anti-pirataria dos DVDs pornográficos:

«Você não roubaria o vibrador à sua avozinha, pois não?»

Downloads ilegais (post institucional)

Será que era isto que o Woody Allen dizia que ia «acabar de vez com a cultura»?

Cascading Style Shits










É a isto que se chama um post de merda.

segunda-feira, 16 de abril de 2007

No barlavento

escreve um senhor chamado Fernando Pessoa, que é arquitecto paisagista. Era só o que faltava, um alter-ego (dele) ecologista.

O advento

Parece que um fulano matou uma catrefada de gente numa universidade técnica dos Estados Unidos. Há muito tempo que os teóricos da comunicação andam a dizer que a técnica vai acabar com o mundo. Só vos digo, estudantes universitários portugueses, que ainda bem que o plano tecnológico não está a funcionar como planeavam.

Breve maltratado das coisas que não existem [4]

Já que está na moda:

Quem começa a estudar, muito provavelmente, nunca mais acaba os estudos. Isto, claro, admitindo que os estudos são uma coisa que se começa. O mundo divide-se entre aqueles que têm interesses e aqueles que não têm. Os que os têm, por muito que se esforcem por domar o tempo e por muito que se aventurem em cruzadas cronológicas, não conseguem precisar a origem dos seus interesses. Logo, os seus estudos não tiveram início, pelo que também nunca terão fim, a menos que essas pessoas morram, o que é bastante improvável. Quem acha que acabar os estudos é bom, para ver se se corrige a tempo de uma morte tranquila, precisa de saber que os que não têm interesses não só se livram dos estudos como acabam a vida a saber mais do que os outros.

Nem sonham.

As pessoas comuns são demasiado socráticas para existirem. O que as safa é que elas não sabem.

Além de manhosos,

os filósofos são uns grandes vigaristas. Coitados, aprenderam com as pessoas comuns.

Edições 70

são dos melhores sítios para se aprender umas coisas sobre a manhosice dos filósofos.

Nova Retórica

é aquilo que serve para provar que os sofistas não inventaram nada. Porque, voilà, ninguém pode inventar nada.

Retórica

é aquilo que os sofistas inventaram para fingir que conseguiam inventar alguma coisa.

O livro arbítrio,

no meu caso, deve estar todo em branco.

Aeroplano 3

«I have a thinking problem.»

Jazz com Pretas [4]

very supersticious (um post um bocado babado)

A minha nova irmã, Inês, nasceu nesta sexta-feira, dia 13. «Sumo na vida/é o que eu te desejo», como diz o tio Sérgio Godinho

O último post

também podia chamar-se «Aprenda a ser académico!».

É tudo mentira

A problemática da comunicação ou da não-comunicação num mundo globalizado e em mutação social contínua, com o contributo malevitchiano do quadro branco, reflectindo, portanto, nas inúmeras aporias que uma sociedade totalizada coloca perante o indivíduo a sua dialéctica interior, leva-nos à conclusão necessária de que, neste seu carácter idiossincrático estético-estesiológico de feição hegeliana, este blogue é O MELHOR DE TODA A BLOGOSFERA. Na perspectiva foucaultiana da homopolaridade antropomórfica masculina ser-nos-ia perfeitamente intolerável uma contestação, por mais logicamente fundamentada que fosse, a esta coda melomegalomanamente sustenizante, pelo que a apresentamos aqui como absolutamente a priori , isto é, independente de qualquer experiência do ponto de vista do transcendentalismo dialéctico kantiano.

A taciturnidade autista psicopatológica do mundo actual face às exigências de renúncia ao utilitarismo benthamista oitocentista e à comunal gravidade cósmica permite-nos compreender melhor o móbil prático da biofisiologia deste principado blogosférico. Com efeito, é-nos impossível avaliar a imodéstia substancial presente na essencialidade humana e, nesse sentido, tudo o que possa ser dito a respeito do vazio bergsoniano e neo-eliático ou neo-positivista fica determinado como irreversivelmente escatológico. Se considerarmos a herança malthusiana para a consciência do declínio proposicional da incontinência verbalizante poderemos, no entanto, colocar-nos perante o problema exposto de forma indiscutivelmente leibniziana ou, por outras palavras, patético-optimista.

E digam o que disserem, não há ninguém capaz de destronar o património gil-vicentino no que respeita à asserção epigramática «ridendo castigat mores», nem mesmo a oposição nitzscheana ao socratismo estético por meio da contra-ascese pan-autonomista.

[Tenho dito.]

*As promoções do João Gaspar lembram-me esta espécie de post que coloquei num blogue que tive. Como vêem, um post que ainda estou a pagar, com juros elevadíssimos. Mas não ficou nada prático. Ainda hoje, para o ler, tenho de rever o dicionário onde fui buscar todas as barbaridades que escrevi. Com algum esforço, percebe-se. Hoje já não penso assim. Amanhã também não vou pensar como hoje. Amén.

quinta-feira, 12 de abril de 2007

Macbeth

irmão lúcia, olha aqui a versão preferida amigos do PNR.

Para falar verdade

eu não faço ideia de como isto está a correr em termos de visitas, mas se eu tivesse um link para o Abrupto corria, de certeza, muito melhor.

O único senão

é que eu nunca fui uma pessoa de palavra.

Este blogue acaba aqui.

Porque eu respeito e gosto muito do blogue do Nuno Miguel Guedes.

Surpresa!

A Alberta Marques Fernandes é comuna!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Post macabro

Recebi um e-mail que me convoca para duas jornadas de luto nacional. A meio do mail está escrito isto: «Pendure um pano preto na sua janela em sinal de luto pela morte da dignidade dos políticos.»

Mas só morre o que alguma vez esteve vivo, não é verdade?

Aos jovens tudo se permite.

Meu Deus, o Ohio tem um Banana Split Festival! Será que a Gulbenkian ou a FCT dão bolsas para isto?

Aldrabona.

Se virem uma pessoa no Galeto a comer sofregamente um banana-split, essa pessoa não sou eu.

Já estava a ressacar

Pode ser que aquelas duas ou três pessoas que ainda não perceberam vejam agora porque é que eu amo este homem - desculpa, H., tu vens a seguir e ele já passa dos 70 (o que não deixa de ser uma pena).

Breve maltratado das coisas que não existem [3]

Disse, desculpe, sociedade civil?

Vindo da boca de um funcionário da RTP cujo nome desconheço, enquanto assistia ao programa que ele próprio produz:

«Esta RTP está uma desgraça desde que a entregaram à Sociedade Civil.»

Ainda mais a sério:

Nunca digas mal de alguém que ainda pode vir a dar-te emprego. Ou, em último caso, trabalho.

Agora mesmo a sério:

não tenho mesmo nada contra o Senhor Primeiro-Ministro Engenheiro José Sócrates. Se tivesse idade para votar em 2005 até tinha votado nele. Se as eleições fossem hoje votava nele. Eu sempre gostei de homens descarados. A Maria Flôr Pedroso («Ó Maria Flôr Pedroso, essa insinuação...») é que podia ter estado melhorzita, podia. E eu confesso que gostava muito mas muito da delicadeza da Ana Sousa Dias.

Falando sério:

não tenho mesmo. Se não fossem as propinas e o limite de cadeiras imposto por Bolonha, eu também faria 55 cadeiras.

Para que fique mais ou menos esclarecido

tenho de dizer que não tenho nada contra Sócrates. A gente até nem sabe se ele era mesmo assim, só o conhecemos pelos diálogos do Platão.

Sem título

Só porque precisava de um post sem pontos de exclamação.

Ainda por cima está de chuva

Isso, filósofos de merda, expulsem os poetas da cidade!

what a can!

Para escrever e publicar um livro antes dos 40 anos é preciso, além de sorte, uma grande lata.

quarta-feira, 11 de abril de 2007

É tudo mais fácil do que parece

Eu compreendo bem esta coisa de se dizer que se tem um grau antes de ter acabado os estudos. Mas mais ao contrário. É que mesmo os estudantes mais optimistas já devem ter tido, numa primeira aula da cadeira x ou y, a impressão de que já estavam chumbados.

terça-feira, 10 de abril de 2007

Bom tempo no canil

Uma vez que
não há cadelas de fila,
todos os cães de fila
são também cães de pila.

Quando um cão de fila
açoriano
rouba um panado
de uma mesa bem posta,
daquelas que dão
vontade de sujar num instante,
fica apto para falar um alemão
(de Viena, claro está)
perfeito.

Átila, o cão de pila
colombiano,
tem um dono huno
que também é um chulo cubano.

Como eu detesto a desorganização

Esqueçam, afinal este blogue precisa de etiquetas.

Breve maltratado das coisas que não existem [2]

Devemos sempre desconfiar da mulher M que diz que continua a pensar no homem H porque ele foi o único que não a amou. Simplesmente, H nunca admitiu que amou M. O que faz de H um escroque não é, pois, o facto de não ter amado, mas o facto de ser um mentiroso. O conjunto faz de M uma ingénua. Porque isso de não se conseguir esquecer os escroques é também uma mentira.

Façamos de conta que a memória não existe.

Melhor Argumento Adaptado

Aqui.

men who need more than they get [ou das coisas que eu gosto de dançar - 2 ]

Na ordem do dia

Ser independente está cada vez mais difícil.

Uma manhã bestial

Enquanto esperam o comboio falam do coma alcoólico que quase lhes aconteceu. Uma das raparigas, com um olhar muito mortiço, fala dos 18 shots que bebeu. Os rapazes respondem logo com um "Ah, isso não é nada!!!". Outra das raparigas, ao colo de um rapaz, abana a perna. Sinal de que precisa de um ou dois cafés. Ou de umas horas de cama. O que está de pé acende um cigarro. Fala. Vai falando. Diz asneiras. Vai dizendo asneiras.

Eram 10 da manhã e eu tinha dormido a noite inteira. Esperava pelo comboio. Esperava-me um dia de estudo. Apeteceu-me rir. Pensei, por instantes, qualquer coisa do género "Sua besta, vives como um bróculo." Depois arrependi-me. Eu vou ficar. Besta por besta, prefiro assim.

Que é feito dos veterinários, dos astronautas, dos ufólogos como eu?

A minha irmã mais nova diz que, quando crescer, vai ser cabeleireira. Melhorou muito: há uns meses desejava ser mãe.

Breve maltratado das coisas que não existem [1]

Desconfio sempre de quem usa a palavra "misógino". Tanta coisa para falar de alguém que apenas sofre da doença da discrição.

«Ele vai ficar.» (video revisitado)

Foda-se.

É curioso

que João Gilberto cante tantas canções de dor de cotovelo. Alguém com uma mão direita assim tão ágil só pode ter tido problemas no canal cárpico.

«A tristeza é senhora/

Desde que o samba é samba é assim.»

Caetano Veloso (melhor na guitarra e na voz do Pai João que não é nenhum Pai João)


----- Isto quer dizer que o samba é mais velho do que a Torre de Belém?

Filosofia de Latrina ou Latrina da Filosofia?

Uma é de quem se está a cagar, a outra de quem se está a cagar para a filosofia.

"Dando uma de blogger derrotista"

É quando dizem bem de mim que percebo o inominável fascínio humano pela latrina.

Deixemo-nos de coisas desagradáveis

Eu até sou uma pessoa moderadamente educada.

Alguém que fala a nossa língua

é alguém com quem temos uma relação de enorme intimidade. Isto é, alguém ao lado de quem podemos cagar.

O alemão tem as suas vantagens

quando, lamentavelmente, alguns cantores que falam a minha língua não se fazem entender.

Um Wiener Schnitzel

é só um panado.

Eu gosto do dicionário Aurélio

porque Houaiss não é nome de gente.

Earn money from your blog (once again)

Está na hora de pôr isto a atacar.

Google it

O estudante de Marketing mal podia esperar pela sua primeira análise FOFA.

como são lindos os youguis

Não posso escrever quando estou feliz, senão vão pensar que escrevo por estar feliz. Mas para quê esta conversa se eu nem sequer estou feliz?

sexta-feira, 6 de abril de 2007

Para os vegetarianos

todas as sextas feiras são santas.

Jazz com Pretas [3]

Educação à vienense

Se um dia os meus filhos me perguntarem para que servem as palavras vou pedir-lhes, delicadamente, que «perguntem ao pai».

O post anterior

é uma espécie de mentira. Penso que existem dois tipos de blogger: o que se enaltece e o que não consegue passar sem falar mal de si mesmo. Eu não quero pertencer a nenhum dos dois tipos. Porém, para isso, terei de admitir que me conheço muito bem. E é isso que eu vou fazer. Não quero que me achem uma presunçosa por praticar a assunção da ignorância.

Ainda por cima eu nem sequer leio Grego Clássico.

assim, justinho você

Cada vez percebo melhor as pessoas que só se relacionam com gente bonita. Realmente, quanto mais se esgravata o interior das pessoas, maior é a possibilidade de descobrir algo de feio. No entanto, se toda a gente começa a pensar assim, e por esta ordem de ideias, vou acabar sem amigos nenhuns.

Earn money from your blog

O blogger lá continua a tentar convencer-me de que tenho, apesar de tudo, alma de chulo.

back to nature [ou das coisas que eu gosto de dançar - 1 ]

quarta-feira, 4 de abril de 2007

algoritmo de fim de tarde (14 de Março)



segunda-feira, 2 de abril de 2007

Quando as coisas e as pessoas não estão à mão

a memória é a coisa mais bonita do mundo.

(pelo menos na Literatura é assim)

Luís Januário diz que as mulheres gostam de ser amadas com reserva. Discordo. Os homens é que gostam de amar com reserva.

pantrimónio

Como dizer alguma coisa com propriedade se as palavras não pertencem a ninguém?

Quando os poetas eram cinzentos

Abril era um mês alegre. Sim, tudo o que chove só pode ser alegre. Ainda hoje.

Turismo Moral

Para quem não vê sofrimento à sua volta, nos homens engravatados que andam no metro de pastinha de pele, nas mulheres bem maquilhadas que se recusam a usar sapatos de ténis, pode consolar pensar que Nambuangongo está mais perto que Hiroxima.

Técnico de Higiene e Segurança em regime de teletrabalho

A. não é a primeira pessoa que me diz que as oportunidades não se perdem porque, na verdade, nunca se chegaram a ter. Mas esta era mesmo boa.

a mais moderna profissão do mundo

Depois de postar uma coisa qualquer o Blogger aconselhou-me: «Earn money from your blog». Confirma-se a minha suspeita de que nada disto está muito longe da prostituição.

desculpas

Gostei sempre de pensar na minha cabeça como um grande armazém. Daqueles que toda a gente, menos eu, tem vontade de arrumar.

pt.facebox.com

O Vasco quer ser meu amigo. Quem é Vasco?

Stormy monday blues

A minha vizinha parece não gostar que eu cumprimente o varredor da minha rua. Apanhou uma molha, coitada. E, como se não bastasse, antes de chegar a casa ainda pisou um cagalhoto.