segunda-feira, 28 de abril de 2008

Justificação II

Não tenho postado porque, finalmente, trabalhei numa coisa que me deu prazer. Também me deixei absorver por responsabilidades adiadas. Logo eu, que não gosto de adiar nada, a não ser a hora de ir para a cama, quanto mais responsabilidades. Gabei-me muito, em idade escolar - como se não tivéssemos todos obrigação de estar em idade escolar até na véspera da nossa morte e, se possível, no próprio dia - de praticar uma espécie de preguiça inteligente: trabalhar arduamente e com a máxima rapidez para ter, depois, mais e melhor tempo livre. Funcionava assim com os trabalhos de casa para o fim-de-semana. Atirava-me aos cadernos na sexta-feira à tarde, ficava com o fim-de-semana para disparatar e só voltava à realidade na segunda-feira. Foi então que ganhei o estranho hábito de passar os domingos de pijama; muitas vezes sem chegar, sequer, a tomar banho. Ainda hoje me sabe bem. Mas apercebi-me, com o passar dos anos e com o adensar das responsabilidades, de que a preguiça inteligente é uma ilusão. Quanto mais coisas fazemos mais coisas temos para fazer. E as ideias são como as doses de cocaína: se nos surge uma, tomamos-lhe o gosto e andamos sempre à procura de mais. Sempre pensei que não conseguia ter ideias. Agora tenho algumas. Banais, medíocres, mas não faz mal. Se as concretizar bem, posso chegar com facilidade às pessoas banais e medíocres. Somos todos iguais. Gosto disso.