Terça-feira, 8 de Julho de 2008

Sou o caso (e a homenagem possível aos outros)

Um colega de trabalho, gozando comigo e não se apercebendo das poucas possibilidades de me deixar mais deprimida do que já estou, ofereceu-me um livro - que ganhava pó numa secretária da empresa - com o título "Inserção precoce no mercado de trabalho: um estudo de casos". Desconfiada da autenticidade da oferta (fazia lá ideia de que se faziam, em Portugal, estudos de casos sobre este assunto, de resto, um dos meus muitos assuntos), abri-a, aleatoriamente, na página trinta. «De facto [e eu pensando "Foda-se, que esta merda começa mal."], os jovens que tiveram necessidade de entrar precocemente no mercado de trabalho para complementar o rendimento do agregado familiar [ou, acrescento eu, o seu próprio rendimento, dado que o agregado familiar não tem de os sustentar até aos 40 anos] têm menos hipóteses de obter um emprego com melhor remuneração e com melhores expectativas de carreira profissional ascendente. Desta forma, parte-se de um pressuposto de que a mobilidade profissional fica seriamente comprometida com a inserção precoce no mercado de trabalho.» Além da inclinação irreversível que tenho para começar a ler tudo a partir do fim - às vezes, até livros (Murder, she said) -, tenho a sorte de apanhar logo à partida os trechos das obras que as resumem. No caso, cumpri a máxima socrática Conhece-te a ti mesmo. Também poupei, num parágrafo, 1oo páginas de leitura. E decidi: vou ao BES. Da mobilidade profissional é que eu não abdico. A dignidade, essa, é para as árvores.