Sexta-feira, 8 de Agosto de 2008

Do raio de silly season que nos reservaram este ano

Hoje, para português e brasileiro ver(em) - e só Deus sabe como eu adoro o Brasil; enfim, eu até acho que Ele deve ter nascido lá -, ficou provado que uma singela ida ao banco pode matar. Sobretudo se o objectivo dessa deslocação for fazer um levantamento. E, conforme me apercebi, o risco de vida é maior ainda se o levantamento que tencionamos fazer for de dinheiro que não é nosso. A situação agrava-se se nem sequer fizermos por pedir com jeitinho. Não se iludam: fui sempre da opinião de que o crime compensa.

E compensa na medida que, como já dizia o irmão lúcia (isto de se chegar sempre atrasado é do que menos compensa, mas também não é relevante para o caso), nos enriquece a língua em desenvoltura e vocabulário. A língua inglesa, por implicar tanto enroliçar (neologismo, decerto) da língua, tem muito de voltura e desenvoltura; e sniper é um termo que, bem vistas as coisas, é bastante mais cinematográfico do que o velho atirador-furtivo. Lembro-me de uma canção do Fausto em que se diz «do atirador furtivo,/perdão:/do sniper a abater/em open space,/just in time e/no prime time». A canção chama-se "Bárbaros em passerelle".

Na rua, como na língua, o crime compensa. A gramática é, invariavelmente - digam o que disserem pessoas como Noam Chomsky e Filomena Viegas -, degenerativa. Como a raça humana. Que inclui, entre outras coisas, assaltantes de bancos. E administradores de bancos. E bancários malcriados que nos atendem nos balcões dos bancos de fronha amarrotada. E ministros das Finanças. Vendo bem, oito horas de sequestro nem são grande coisa para um refém. Quem trabalha em part-time, perdão, a meio-tempo tem, pelo menos, quatro horas diárias de sequestro. Fora aquelas que lhe ocupam o trabalho doméstico. E se um dia não quiser trabalhar e desejar fazer um levantamento, é provável que, como os cães, seja abatido. Por um sniper. E que degenere, portanto, mesmo depois de já ter degenerado. Senhores comentadores, o balázio não é castigo, nem o castigo é o balázio. Isto é mas é tudo uma grande confusão. Stop.