segunda-feira, 30 de junho de 2008

Das duas, uma:

ou ninguémeste blogue, ou toda a gente o lê.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Atenção: isto pode ser um plágio.

Era um filósofo tão mau tão mau que todas as suas máximas eram mínimas.

terça-feira, 24 de junho de 2008

Estou a pensar lançar um livro. Pela janela.

Quando há ambiguidade, pendo sempre para o lado improvável. É uma forma de preservar a minha previsibilidade.

Todo o amor tem uma metalinguagem. Quando a meta é linguagem, fode-se.

Amar uma pessoa por aquilo que ela escreve é amá-la por aquilo que ela não é. Amamos sempre os outros por aquilo que nós somos (para eles, às vezes), não por aquilo que os outros são. O que vale é que, por termos olhos, os outros são o que nós somos. Oxalá não escrevam, para facilitar.

Noite

Mesmo no escuro, apalpando paredes, persegue-me sempre o que é apolíneo. As aranhas dos meus pesadelos são sempre simpáticas. Apalpando paredes, deito-me na cama. Cubro a cabeça toda com o lençol e a colcha de algodão - alvos alvos das criaturas da noite, chiu, que ouço barulhos vindos ou idos do lado de fora, é no estacionamento, daqui a nada acende-se um farol e a Christine vem cá encher-me de bofetadas metálicas, que um carro assassino, daqueles que tocam o rádio sem pedir licença, não há-de ser coisa boa. Não quero ouvir a minha própria respiração, por isso imagino outra. A tua. Fecho os olhos com força e, no escuro do preto escuro, só vejo luz. O mundo, daqui ninguém me tira, é uma coisa muito bem feita. É preciso vê-lo. E para vê-lo, às vezes, só fechando os olhos.

Na lei

É possível ouvir música sem piratear, qualquer música, numa escolha vastíssima de álbuns, artistas, géneros e títulos. O Deezer dá para ouvir um álbum inteiro antes de o comprar, para "levar" as músicas favoritas para o trabalho e, sobretudo, para descobrir novos sons para ouvir (quase tão eficazmente como no Musicovery). Numa qualidade muito boa para streaming, mesmo em redes lentas, recomendo o sítio. Mas há melhor: podemos partilhar as nossas escolhas com os outros.

segunda-feira, 23 de junho de 2008

George Carlin (1937 - ?)

George Carlin, por quem tenho feito grandes campanhas, morreu no domingo, aos 71 anos. Como não morreu de cancro - mas sim de paragem respiratória (noticia o The New York Times) - direi que morreu de saúde prolongada. Pioneiro da Stand-up comedy nos anos 70, Carlin tinha tudo para ser um ser humano detestável: inteligência, sentido de humor (isto assumindo que o segundo não é o mesmo que a primeira, que é coisa na qual nunca acreditarei), cultura, energia. Era, ainda, mal educado, do contra, assertivo, directo, crítico e muito bruto. Cínico contra o cinismo, hipócrita contra a hipocrisia. A hipocrisia e o cinismo também, muitas vezes, contra ele, e mesmo que não estivessem, só lhe ficava bem, a Carlin, estar do outro lado do campo. Foi, também, das únicas criaturas que, uma vez providas de cérebro e cordas vocais, souberam dar algum sentido útil ao conceito de performatividade da linguagem, proposto, ou seja, imposto por J.L. Austin na sua obra - agora tão badalada por culpa da dupla, ou tripla Mexia-Araújo Pereira, se assumirmos que pelo menos um deles é bipolar - How to do things with words.

George Carlin é a pessoa capaz de escolher, para título de um livro, Quando é que Jesus Traz as Costeletas de Porco? (When will Jesus Bring The Pork Chops?) porque, numa só frase, explica ele, ofende «cristãos, muçulmanos, judeus e vegetarianos». É a pessoa capaz de nos lembrar de que o Planeta está muito bem porque já passou por cheias, vulcões, chuvas de meteoritos, eras glaciares (e, acrescento eu, dois penteados de Manuela Ferreira Leite) e que, nessa lógica de pensamento, que importância terão uns sacos de plástico ou umas latas de alumínio?

«O Planeta», segundo George Carlin, «não vai a lado nenhum. Nós vamos! Arrumem as vossas merdas, pessoal. Nós vamos embora. E também não vamos cá deixar grande rasto. Talvez um bocadinho de esferovite*. Talvez... um bocadinho de esferovite. O Planeta vai cá estar quando nós já nos tivermos ido embora há muito tempo. Apenas mais uma mutação falhada. Mais um erro de investimento biológico. Um beco-sem-saída evolutivo. O Planeta vai ver-se livre de nós como de uma infestação de pulgas. Uma maçada superficial.»

George Carlin, que muitos dizem ateu, dizia que acreditava no Grande Electrão. Eu, que não sou para aqui chamada, talvez por contaminação, chamo-lhe, ao Grande Electrão, o Grande Sacana. Permite, Ele Mesmo, que alguns deixem, apesar das previsões de Carlin, algum rasto. Num Planeta como este, sacana genético, só há um rasto possível: o da memória dos que ainda não se foram embora. A técnica e a tecnologia, como diziam outros amigos mais iluminados e iluministas (funcionários da Pollux, decerto), não deixam que o rasto se extinga. Elas são, aliás, ou querem ser, o próprio rasto. Eu, porque estou longe de Carlin, não sei de Carlin senão aquilo que a técnica me permitiu saber, com o auxílio ou a materialidade indispensável para a alienação, isto é, o meu corpo em geral, com genitais incluídos, já que muitos de nós até precisam deles para pensar. Presumo que só uma coisa tenha irritado George Carlin a sério. Essa coisa é, afinal, a que nos irrita a todos: não sermos a última pulga a ser sacudida.

[Sugestões de visionamento e o caralho: 1 | 2 | 3 | 4 | 5.1 | 5.2 ]
*tradução libérrima, o original é Styrofoam.

Portugal profundo (1)

Estremoz de terra.

I'm "The Man" and you're still a Kid.

domingo, 22 de junho de 2008

Santos

Era giro que descobrissem vida noutro planeta. Sempre podia mudar a minha naturalidade. Enfim, talvez o pessoal estrangeiro não apreciasse muito a decisão.

Gelo

O pessoal da NASA anda em apuros. Eu bem lhes disse para não irem na cantiga dos frigoríficos no frost. Mesmo assim: ir a Marte por causa de gelo? Não era mais fácil ir a uma bomba de gasolina?

Sou fã de M. Night Shyamalan. Isto é, sou fã de um realizador que soube aproveitar (como, de resto, fez Spielberg) a melhor característica de Hollywood: a luta contra a emotiva tradição europeia (exceptuando, talvez, Bergman e Hitchcock) por uma irrepreensibilidade técnica que se mostra tão mais imaculada quanto melhores forem a montagem e - para mim, o principal - a direcção de actores. Shyamalan é, nos filmes anteriores a The Happening, o Hitchcock dos nossos tempos. Valoriza, como Hitchcock, o que está no filme mas também para além do filme, fora-de-campo, aquilo que, no filme, se pensa, se diz e não se vê. No que se vê, não há nem pode haver explicação. Um filme de Hitchcock ou um dos primeiros filmes de Shyamalan não se vê, sente-se. Isto é, vê-se e depois sente-se, ou começa a sentir-se quando já não há quase nada para ver. Há realizadores, como Tarantino, eficazes na revelação. Onde o sangue, por ser sangue, faz falta. Em The Happening, além de um argumento fraco-que-podia-ser-forte, temos uma asneira monumental: aos vinte/trinta minutos de filme, a história está contada e nada mais há a dizer. Se o objectivo era criar angústia, nem esse esforço foi bem sucedido: se o realizador nos apresenta um caso para o qual não há solução, devia ter apresentado essa ausência no último minuto do filme, como fez em The Village, e nunca quando ainda faltava ver o filme todo. Se o objectivo era dignificar a consciência da imprevisibilidade da natureza ou das inefáveis e inconclusivas leis do Universo, este filme falha. Para um fã da comunidade que recriava o mito de Rousseau ou do miúdo que lia o futuro em caixas de cereais, The Happening exigia muito mais. Há, neste filme, belíssimos momentos de cinema que só funcionam porque parecem belíssimos momentos de realidade; por sua vez, os momentos de realidade que podiam ser bons momentos de cinema falham redondamente. Não era preciso ver suicídios de pessoas infectadas por uma neurotoxina mortal, cortando os pulsos com chaves ou deitando-se na relva para deixar passar uma espécie de debulhadora; nem sequer fazia falta o microfone em campo durante toda a cena do jantar familiar dos protagonistas com a velha bruxa que os acolhe - todas personagens sem densidade, tirando a criança, a quem basta ser criança para fazer todo o sentido naquele filme-lugar. Depois de tudo o que vi dele, Shyamalan desiludiu-me. Mas o cinema é mesmo assim e o próximo, se Deus quiser (quer nós queiramos, quer não), será melhor.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

E eu tesa que nem um carapau.


My blog is worth $28,227.00.
How much is your blog worth?



via Corta-Fitas.
E o senhor, se não se importa, veja lá quanto vale o seu... pode ser que dê para umas imperiais e um pirezito de caracóis. O meu, nem para um queijo.

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Estou aqui, mas animem-se. É como se não estivesse.

domingo, 15 de junho de 2008

Eu bem te disse que Ele existia.

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Plágio assim-assim de Mário-Henrique Leiria

Olhei para o grande relógio despertador às treze e treze do dia treze. Senti que ia morrer. Felizmente, já tinha morrido antes. Não ganhei para o susto.
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[«TELEFONEMA Telefonaram-lhe para casa e perguntaram-lhe se estava em casa. Foi então que deu pelo facto. Realmente tinha morrido havia já dezassete dias. Por vezes as perguntas estúpidas são de extrema utilidade.», Mário-Henrique Leiria, Novos Contos do Gin, Editorial Estampa]

O cúmulo da doença, da estupidez e da modernidade (desculpe, caro leitor, se usei sinónimos), há-de ser não confiar nos amigos. Estou cada vez mais moderna.

Como não gosto de injustiças, pratico-as. É a melhor maneira de evitar ser o alvo delas.

Na ausência de alternativas para que deixem de me perguntar o que é que eu tenho, sorrio. É incrível o modo como as pequenas coisas satisfazem tanto as pessoas.

A comida não me sabe bem. Por isso, tenho comido muito, na esperança de que alguma coisa me saiba realmente bem. Ontem comi sardinhas. Só me agradou quando engoli uma carregadinha de ovas; senti, naturalmente, que estava a impedir que vários seres vivos se desenvolvessem e reproduzissem. Desde o tempo dos escuteiros que não experimentava o efeito egoísta de uma boa acção.

Olhei para o chão cheio de migalhas e pensei: ali está uma merda que não fui eu que fiz. Eis o alcance da minha doença.

É tudo simples, muito simples. Eu estou doente. E as pessoas doentes fazem coisas estúpidas. Juro que não estou a justificar a minha estupidez com a minha doença. Na verdade, a estupidez é a minha doença.

Diz que é capaz de desligar o descomplicador e ficar a ouvir-me durante uma hora sem quaisquer interrupções. Está sempre a complicar.

sábado, 7 de junho de 2008

Jazz com Pretas [15]

Qual é a tua?

Tratado de vexilologia (umbiguista e resumido)

Gosto de falar de amor porque sei que nunca conseguirei manter uma conversa com base no conflito israelo-palestiniano. Para mim, todos os países são bandeiras e todos os amores são países. Em guerra.

Há gente que diz que não tem medo do trabalho. Conta, naturalmente, que seja o trabalho a ter medo dela.

O trabalho liberta. E prende. E liberta. E prende. E liberta. E prende, ou queriam que libertasse?

An englishman in New York

Acho a torrada um objecto alimentar de elevado valor literário. Pena que a literatura nunca lhe tenha dado grande importância nutricional.

Dêem-me valor.

Dêem-me, que eu fujo já com ele.

Breve maltratrado das coisas que não existem [46]

Parece-me que um tipo que com ceda nunca estará sozinho nas suas decisões.

Silogismo mais-do-que-imperfeito

Deus, como a Justiça, deve ser cego, surdo e mudo.
Quer isto dizer que Deus, se for Deus, não vê, não ouve e não fala.
Em suma, Deus faz.
Na maior parte dos casos, é para isso que lhe pagam.
Logo (e até um bocadinho depois; enfim, para sempre), Deus é feliz.
Disto se conclui que Deus, ainda que não pareça, é o quarto macaco.

Exponho-me intelectual e emocionalmente na esperança de que, um dia, alguém escreva a minha biografia. Não autorizada, incompleta e, necessariamente, nas estrelas.

Da nudez

O aplauso do dia vai para os Buraka Som Sistema que, do palco Sunset do Rock in Rio, gritaram para o público - pagante e, por isso, pacóvio - a frase que ficará, para sempre, nos anais do funk progressivo: "Viva o download!"

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Anatomia do amor explicada ao Dr. Phill

Adorava-a porque nela todos os membros eram superiores.

Breve maltratrado das coisas que não existem [45]

Um impropério é um império que pertence a outra pessoa?

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Sai uma preta para o Alberto Gonçalves

Alguém no YouTube comentou a actuação de Amy Winehouse no Rock in Rio assim: «she dances like a retated monkey with tattos». Desculpem, mas ainda me estou a rir.

Mais uma prova de que Ferreira Fernandes é preto

Eu bem vos digo, mas vocês não querem crer. Preto, preto, igualzinho a este:

O capitão do mato Vinicius de Moraes, o branco mais preto do Brasil na linha directa de Xangô. Saravá!

Alguém veio parar a este blogue com a pesquisa "as profissões mais modernas do mundo". Decerto, o leitor em causa seria alguém com vontade de conhecer o que está, em termos profissionais, na crista da onda. Sei lá, um gestor de conteúdos, um controller financeiro, um business development consultant. Para o caso de o tal leitor não ter percebido, eu republico o post que ele encontrou: «a mais moderna profissão do mundo//Depois de postar uma coisa qualquer o Blogger aconselhou-me: "Earn money from your blog". Confirma-se a minha suspeita de que nada disto está muito longe da prostituição.» A profissão, leitor querido, aquela que dá, é sempre a mesma, do início ao fim dos tempos. Começa por pê e acaba por edo. Medo. Como tal, a mais moderna será sempre, em simultâneo, a mais antiga, «e assim sucessivamente».

Breve maltratrado das coisas que não existem [44]

Quem gosta de heavy metal pode embrulhar as sandes em papel de alumínio?

De acordo com a Wikipedia, um ex-baixista dos Metallica nasceu em 1986 e morreu em 1987, com apenas 24 anos. Acredito que, de certa forma, a informação justifique a riqueza estética e performativa do heavy metal. Mentira. Vi Metallica ao vivo e foi das melhores e mais profissionais coisinhas que alguma vez vi ao vivo, tirando uma senhora que uma vez se me apresentou às três da tarde no Poço do Borratém, e eu ia só à Junta de Freguesia falar com o Presidente. Profissionalismo, sim, mas nunca no leitor de CD. Isso e ofender a memória de um morto. Quanto a Cliff Burton (1986-1987), estou safa: parece que eles agora, lá em cima, no tiroliroliro, ou cá em baixo, no tiroliroló, usam pendrives e Blu-ray.

Nota: vendo a Wikipedia com mais atenção, dou-me conta de que, afinal, o período 86-87 não é aquele no qual Cliff Burton viveu, mas aquele em que a banda sofreu a ausência do baixista. Mas se não tivesse visto mal não havia post, o que é chato.

Teste americano (sem Obama para armar barraca)

Quando, em cinco dias, a popularidade do seu blogue desce de 54 para 50, é sinal de que:

1. Está ocupado.
2. Está a voltar à infância, de onde nunca deveria ter saído.
2. A blogosfera não estava preparada para si.
3. O Technorati não estava preparado para a blogosfera.
4. Alguém lhe anda a roubar as visitas todas.
5. Não tem nada para dizer e mesmo este post nunca devia ter existido.

Eu sei qual é a resposta certa. E você?