quinta-feira, 30 de outubro de 2008

O estilo possível (ou a mania)

Se me destilassem,

não se perdia nada. Eu já não tenho estilo nenhum.

Breve maltratado das coisas que não existem [49]

As pessoas destilam ódio porque é mais fácil destilar ódio do que destilar amor? Ou é porque não arranjaram substituto à altura, para o ódio, da palavra destilar?

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Em sentido marxista, é claro, ou dos resquícios do meu comunismo adolescente

São notícias destas (1|2) que me trazem a certeza de que, um dia, o mundo será perfeito.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Ora aqui está: um blogue mesmo escrito numa espécie de alemão por quem tem mesmo alguma coisa para contar. Não é como esta merda do terapia, a armar ao pingarelheidt.

Oh não, não.

José Wallenstein é o John Malkovich português. (Não é um elogio para nenhum dos dois.)

Oh não.

A nova telenovela da TVI é intelectual. (Uma das personagens acaba de citar Drummond de Andrade.)

E ser jovem, não é uma boa desculpa?

sábado, 25 de outubro de 2008

Da mediocridade (II)

Gostava de saber porque é que fiquei, já por duas ou três vezes, agarrada a programas deste estilo por mais de meia hora. As apresentadoras querem levar toda a gente para a cama - incluindo a minha pessoa -, vestem-se como engatatonas profissionais e nunca desistem do providencial «Oláboanoite»; conseguem fazer o entusiasmo parecer um embaraço e só não saltam mais porque, de saltos altos, saltar há-de ser um risco. A música de fundo é irritante e os efeitos sonoros para quem, por exemplo, está a ligar pela primeira vez (aplausos), são, mais do que pirosos, verdadeiramente assustadores.


As pessoas que ligam para estes programas (transmitidos, para quem não sabe, a altas horas da noite) são sempre as mesmas ou, então, profissionalizaram-se em fazer chamadas de sessenta cêntimos mais IVA que, umas atrás das outras, lhes poderão dar(aos espectadores mais insistentes) a compensação de entrar no directo e conseguir, com isso, emitir um palpite.


O que há num jogo de futebol? Tudo menos o que, de facto, há num jogo de futebol. Não há relvado, nem fiscal de linha, nem balizas, nem bola. A chave é tão misteriosa e os espectadores tão desatentos que, em dez minutos de programa, o mesmo palpite pode surgir vindo de três pessoas diferentes. Depois muda-se para o canal concorrente e descobre-se, pelos nomes dos espectadores, que aqueles que ligam para um são os mesmos que ligam para o outro e, daí, quem sabe, a pouca atenção com que participam no concurso.


Esta malta, que ainda não descobriu a sala de chat - prefiro, para dizer verdade, dizer bate-papo -, usa nicknames. Há dragões, sportinguistas, benfiquistas, e carradas de ricardos que se fazem à rapariga do ecrã com a voz melada e a timidez própria do gajo que, na discoteca, passa o tempo encostado à parede de Seven Up na mão. Geralmente, a mesma pessoa entra no ar mais do que uma vez e ganha mais do que uma vez. Na SIC ganha-se mais do que na TVI. Por mais ridículo que seja o desafio da segunda, parece sempre impossível acertar. E eu vejo, sem saber porque não consigo deixar de ver. Às vezes, com vontade de ligar. Que grande merda. Antes o iPhone.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Qu'est-ce que c'est?

Da mediocridade

Sou daquelas pessoas que acham que vão ser mais felizes quando e se comprarem um iPhone.

Chamada não atendida

Não entendo porque é que, às vezes, sinto uma tristeza tão grande. Do fundo de tudo o que o Universo mandou que fosse eu e mais pessoa nenhuma e, na verdade, todas as pessoas ao mesmo tempo. Esse lugar fica no fundo do meu peito e não explode nunca, nem quando choro; como o pensamento e a dor - a dor é um pensamento e o pensamento é uma dor, tenho a certeza, foi uma Pessoa que me disse - impõem a sua latência.

A tristeza é - enfim, é capaz de ser - uma presença escondida que, por mais que choremos para que se veja, não se vê. Nunca viste a minha tristeza. Tentei que a visses muitas vezes e, de um ponto de vista italiano, não fui justa para ti. Chorei-te a casa inteira e uma italiana contou-me que, em Itália, se diz que não se pode chorar uma casa toda; é preciso, pelo menos, abrir uma janela para que a tristeza voe dali para fora. Deu-me essa informação depois de eu a ter informado de que em Portugal se diz que não dá sorte um pássaro morrer-nos em casa. E ela respondeu que isso até fazia sentido - imagina só - , porque fora muito infeliz numa casa onde, uma vez, um pássaro lhe tinha morrido.

Mas esta coisa que quase me rasga o peito e cujo mal é que nunca o chega a rasgar e, por isso, não sai dali para fora, é a coisa que a minha razão e a minha lucidez mais querem rejeitar - quem diria que eu tenho isto tudo! Não quero tristeza, ver tristeza, sentir tristeza, entristecer-te a casa porque, simples e puramente, a tristeza é uma sobranceria. Hoje aconteceu-me, pela primeira vez - agora mesmo, aliás -, estar com os óculos na cabeça e andar à procura deles. Não me inquieto com isso enquanto não me doerem os olhos. Não devia estar triste enquanto estivesse na tua ausência efémera, agendada - isto, partindo do princípio de que nem sempre és tu que estás na minha. A verdade é que estou. E quando estou na tua presença, sei que estou, às vezes, ausente. Queria ser, apenas, como todas as pessoas - tu - que têm de acordar amanhã. Para mim, tu sabes, só há amanhã se, amanhã, eu quiser viver. Não vivo quando não quero e isso não significa que esteja morta. Acho que os vegetais não pensam, não sentem dor - ou, pelo menos, não têm nada que a processe - e, por isso, tu hoje és uma uva. Eu sou, naturalmente, a grainha. Que tu trincas e engoles. Como eu achava que ninguém fazia.

A tristeza é uma sobranceria e, por isso, mesmo enquanto choro, vou fazer de conta que estou feliz. Amanhã, mesmo que eu não queira viver, é mais um dia que risco da agenda. E volta tudo ao início. Uma sobranceria.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Esta métrica fascina-me.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

"5 euros tinha [sugiro um m no final, por causa da concordância] bastado"

«Abandono o projecto de suicidio [falta um acento no segundo i] quando reparo que não tenho electricidade em casa: sem electricidade não há internet [apologizo o uso da palavra "Internet" com maiúscula, quanto mais não seja por ser grande comá merda]; sem internet não posso adquirir os conhecimentos necessários para me suicidar com o dramatismo e ausência de sofrimento adequados; isto é suficiente para que prontamente renove os planos de suicidio, os quais não ponho em prática por não ter internet.»

Comentário javardo-iluminado: se é assim sem electricidade, que faria se não tivesse luz.

Tudo isto para dizer que a Internet não é tudo. Há um livro publicado pela Antígona que, em matéria de suicídio [reparem no acento bem colocado] ultrapassa toda a Internet [maiúscula, sim!]. Pode ser adquirido aqui pela módica quantia de 5 euros, muito menos que uma mensalidade de Internet que, a bem dizer, só compensa se uma pessoa se suicidar no fim do mês, depois dos downloads todos feitos.

Gostava de saber porque é que os jornais, como a minha avó, insistem em chamar luz à electricidade.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Porque não sou feminista

Ora aqui está uma discussão que me interessa.

E pronto, ele voltou. E agora, já me posso ir embora?

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

A minha irmã, no 2º ano de escolaridade, tinha, este fim-de-semana um trabalho para casa. Além de uns números para decompor em somas (25=20+4+1, por exemplo), tinha de escrever uma composição subordinada ao tema "Se eu fosse uma formiga".

- Então, mana, o que é que vais escrever? O que é que acontecia se fosses uma formiga?
- Hum... se eu fosse uma formiga, as pessoas andavam e eu morria.