quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Um escritor

era tão humilde que, se dependesse de si, ficava toda a vida no prelo.

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Este restaurante em Nova Iorque tem um prato chamado "Four Story Hill Suckling Pig". Enfim.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

Freddie Hubbard (1938-2008)

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Ah, valente!

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

"Olá, 26%"

O texto de Ferreira Fernandes no DN de hoje é notável.

Conto, por alto, ter tido na minha vida cerca de 60 a 70 professores. Lembro-me de muitos deles pelas suas idiossincrasias, mas de muito poucos pela competência e pela qualidade das suas aulas. Acredito que o sistema de ensino no nosso país é ainda pior para os alunos do que é para os professores. E acredito que quem gosta de ensinar e sabe fazê-lo consegue cativar o mais duro dos pedregulhos para a estupidez que é o conhecimento tal como é vendido pelos sistemas de educação das sociedades modernas: como uma coisa boa em si mesma, que não é.

Entre Platão e Aristóteles, numa interpretação muito ofensiva, se calhar, acredito que o conhecimento só será bem vendido se a frase publicitária que lhe for atribuída o apresentar como um meio para atingir um fim. O conhecimento não é bom em si mesmo porque só um tolinho sem contacto com o mundo real é feliz por saber mais - e é mais feliz por saber mais quanto mais sentir que os outros, à sua volta, sabem menos que ele. O sistema de ensino em Portugal estimula a inveja pelo conhecimento; por isso, um aluno que conversa com o professor no intervalo não pode ser senão um engraxador; por isso, um aluno que levanta o braço de cada vez que o professor pergunta alguma coisa não pode ser senão um marrão vaidoso.

Pior, talvez, será a situação em que o professor tem medo de aprender com os alunos e, para não fazer má figura, não permite que os alunos participem nas aulas. No ensino universitário, então, é uma prática constante. Depois, há os génios que dão aulas na universidade e não contam com o facto de os alunos não terem a obrigação de estar familiarizados com as suas áreas de especialização. Quantos alunos universitários não terão sentido que um trabalho seu foi utilizado para enriquecer uma tese ou um artigo de um professor? Os alunos também não têm a obrigação de chegar à universidade tendo lido Barthes ou Derrida, mas, por outro lado devem ser muito bons a escrever, a argumentar, a raciocionar com as bases que, em princípio, lhes deveriam ter sido dadas nos graus de ensino anteriores.

Não é fácil ter bases quando o professor, como os alunos, só pensa na hora em que a campainha vai tocar, a do final daquele tempo e do seu tempo como professor de matemática que, se calhar, podia ter sido engenheiro e ganhar, com isso, o triplo do que ganha agora. Os alunos demitem-se porque os seus professores, em espírito, são todos reformados. A premissa maior, afinal, é a seguinte: Todos os portugueses são reformados, do trabalhador da mais privada das empresas à mais pública das repartições. Os portugueses não gostam de trabalhar porque não acreditam senão nas compensações imediatas. Esperar mesmo, só por D. Sebastião. E aquilo que, na Mensagem de Pessoa, é muitas vezes interpretado como uma esperança apoteótica não é senão uma crítica velada, como O Encoberto, àquilo que somos como gente.

Não estranho, por isso, que o nosso empreendimento mais recordado sejam os descobrimentos. Dinheiro fácil, que aquela história da conversão dos infiéis não me convence nada. Colonizemos, pois. Para o português, não há pátria nem bem comum, a menos que dê muito jeito para andar com a camisola da selecção nacional vestida. E os políticos são todos uns bandidos que ali estão, a ver se conseguem roubar o máximo, por mais curto que seja o mandato. Desejo-vos pois, meus caros, sorte para a chegada dos imigrantes, esses outros bandidos. Brasileiros, russos, ucranianos qualificados, que estão dispostos a fazer o mesmo e muito mais pelo mesmo preço. Ou por um ainda menor. Malta que, se calhar sem consciência disso, percebe o verdeiro sentido do marxismo - que, em Portugal, nem os comunistas percebem. O trabalho não são sindicatos e isso eu sei mesmo; se calhar, porque não se ensina na escola.

Great minds think alike (com 7 meses de diferença)



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It's cooooooool to know nothing



01/02/09 no Coliseu de Lisboa
02/02/09 no Coliseu do Porto

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Lego Magritte


















Trabalho de um artista genial, descoberto numa galeria fabulosa da edição especial da Time que elegeu Barack Obama o homem do ano.

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Férias

Tenho uns dias de férias, muito para fazer e não sei por onde começar. Se calhar, volto para a cama. Falho a minha vida toda, levo pouco até ao fim, durmo demasiado para aquilo que preciso de fazer. Devo ser a única pessoa no mundo que demora quatro meses a acabar um livro, um só livro, de 300 páginas. Porque há gente e há música no meio das minhas viagens, porque os livros são mundo e, se existe mundo, para que quero os livros? Deu-me prazer, como há muito não me dava - ora, ora, e vocês com isso, eu sei, mas não me apetece falar da Cisjordânia -, acabar um livro. Mas não me apetece pegar no próximo. Dormir, é o meu primeiro dia de férias verdadeiras em muito tempo. Dormir. E depois, à tardinha, prometo: vou correr para o parque. E comprar dois mealheiros para poupanças diferentes, daqueles que não dão mesmo para abrir. E comprar, no Minipreço, um gelado de nozes de macadâmia, cópia do mesmo sabor da Häagen Dazs (o primeiro, 1,99€ com desconto em cartão e o segundo 6,49€ sem desconto e com macadâmias caramelizadas, melhores, mas não se nota muito a diferença, porque o sabor está lá, é um sabor a sótão velho), para estragar a corrida toda. Mas agora, dormir. Isso.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

And so the best that I can do is pray

Salvar

Aposto tudo nas intenções. Quando jogo no Euromilhões, não tenho outra intenção senão ganhá-lo.

Promessas não pagam dúvidas. Mas tu prometeste.

Na notação musical para disléxicos, há uma figura que se chama semiconfusa.

Ser transparente é o mesmo que estar nu; com um bocadinho menos de frio.

Mole em pedra dura; oxalá se despache, que eu não tenho a vida toda. Ou talvez tenha.

Estou aqui, em águas de bacalhau.

Ainda agora partiste e já tenho saudades. Era o meu vaso preferido.

Egoísmo

Sempre me apeteceu usar o argumento de estar a ser altruísta comigo própria, mas não me convenceu.

O seu maior sonho era ser competente, mas só conseguia ser in.

Era tão pouco criativo que até o seu Deus era um self-made god.

Estou farta deste blogue. E só não acabo com ele porque também estou farta do próximo, da mesma maneira que me fartei dos anteriores.

Mein kampf

Todas as palavras são plásticas; se lhes colocar o ferro de engomar em cima, derretem-se, transfiguram-se como as águas de um lago no momento em que as pedrinhas as fustigam em círculos.

Algumas palavras dessas todas são de cal e pedra, sofrem a erosão da vontade e nunca a erosão da verdade (a pior, a que não as pouparia se não fossem de pedra e cal). São as palavras; essas palavras, todas as palavras. Há palavras - as, essas, todas - que eu não vou deixar de usar, que não vão deixar de me usar, a menos que deixe de ser verdade aquilo que elas representam, aquilo que eu represento delas. A mais que eu morra e que tudo o que vivi até agora seja, tenha sido só um sonho. Ou dois.

Há gente teimosa. Sou gente. Logo, também tenho o direito a deixar silogismos subentendidos.

Conflito de desinteresses

Devia estar a trabalhar e estou a postar. É curioso que, sempre que trabalho, sinta que devia estar a postar.

À mão

Quero que o dicionário do Fernando Pessoa se foda. O que eu queria mesmo era etimologizar-te. Logizar-te. Gizar-te.

Sou triste mas não sou triste, ou seja, estou (muito) triste.

E depois, há um minuto, um segundo, um momento em que nada, já nada faz sentido. Os vizinhos de cima saltam, a cadela ladra, a família grita e eu. Tu bocejas.

Bartleby returns

Ao ler este post, lembrei-me de, há tempos, um amigo me ter contado que anda a ler um livro no qual uma bibliotecária passa o tempo todo à procura do seguinte título: "OK, I'll Do It - Bartleby Returns".

Quando a prosa é bonita demais o ignorante nem desconfia

«O pardal montês, a calhandrinha comum e o picanço barreteiro são algumas das aves comuns que estão a deixar de o ser, tornando-se cada vez mais raras, devido à intensificação agrícola.»

Aqui. Que maravilha.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Olha, este morreu pneumoultramicroscopicossilicovulcanoconiótico.