sábado, 6 de junho de 2009

Fim

Este blogue acaba aqui.

(Desta vez a sério.)

Acaba sem graça, como deverá ter sido sempre.

Peço perdão a quem gostou.

Peço desculpa a quem não gostou.

Se eu voltar, noutro lugar, não será muito diferente.

Ou talvez seja.

Adeus.

Muito obrigada por tudo.

(Isto é para vocês.)

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Momento light (à espera da ordem)

Porque é que as mulheres querem casar com homens que já foram casados com outras mulheres? E os homens?, na vice, na versa. Enfim, na mesma.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

007

Este blogue autista só espera ordem para (se) matar. Verdade.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Vírgula

Hoje, a palavra mais bonita do mundo é vírgula. São três e quarenta e cinco da manhã. Demorei meia hora, entre cliques e linques, a tentar perceber em que corrente estava, se é que ainda posso estar nalgum lado senão naquele onde estou e naquele onde sempre quis estar, que é, toda a gente sabe, um lugar que não existe. Não posso ir na corrente, lamento. Estou demasiado acossada para dizer verdades e suficientemente deprimida para não conseguir mentir.

Para 21 anos mal feitos e indesejados - não queria nenhuns -, a corrente parece-me um desperdício, embora possa adiantar que já dormi com o Steve McQueen. E o Marcello Mastroianni. Três vezes.

[Cada.]

Eu gostava era de que me perguntassem pela sexta frase da página 161 do livro que tenho mais à mão vírgula outra vez vírgula que foi a terceira escolha vírgula já que o que eu tinha mais à mão tinha noventa e poucas páginas vírgula o seguinte tinha uma frase que já não posso cumprir vírgula uma vez que é «No dia 1 de Março já não voltarei ao escritório» vírgula e o que está verdadeiramente à mão chama-se "O Poder do Perdão" e vai ser oferecido vírgula no próximo Natal vírgula a alguém que não tenho em grande consideração - embora ainda não saiba quem vírgula mas ainda bem que existe sempre alguém.


Assim sendo, escolhi, da minha primeira prateleira da esquerda, bastante ao calhas e sem hesitar, o livro que tem os melhores guisados de toda a literatura de viagens (alguém abraça a cruzada e descobre qual é?). Duas correntes numa - uma delas autoimpingida, estou cada vez mais prática - a frase que me calhou resume toda a minha (não) existência:

«Diga que compreende...»


Inquérito, Travessa do Fala-Só (onde ficará?), nenhuma página cortada pela parte de cima, uma trabalheira, amarelo, bafiento e tão lindo que me faz ter vergonha de não ser analfabeta.


Se não tivesse a certeza de que ele me mandaria pastar sorridente e cagar triangulozinhos de queijo fundido, passava a corrente ao Plúvio. Vírgula.

E eu a ver (popular)

As pessoas andam tristes. São tristes. No comboio para casa, sou triste com elas. Nunca pensei poder ser tão triste e nunca pensei ver tanta tristeza no caminho para casa. Será por estar triste, por ser triste? A palavra "eu", num mundo triste, é suja. E num alegre também. O menino que hoje me sorriu e que uma senhora triste levava pela mão, a toque de caixa, não era triste ainda. Porque eu pensei nele assim, passou a sê-lo. Tenho sempre pena das crianças que os adultos levam a toque de caixa, ignorando a evidência - física e geometricamente comprovável - de que as suas perninhas são bastante mais pequenas do que as deles. Arrastar uma criança assim, para a nossa pressa, é arrastá-la para a sua morte enquanto nos arrastamos para a nossa. Uma injustiça, no mínimo.

Mãe, porque me levavas sempre, para todo o lado, a toque de caixa? Tenho muitas saudades de não saber por que motivo o fazias. Como aquele menino que já é triste e ainda não sabe.

Hoje, ao virar da Duque d'Ávila para a Avenida da República, vi um Rogério Casanova. Mas em giro.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Primeiro, um mergulho de emergência no rio Hudson; agora, um avião partido às postas nos Países Baixos. O que mais irão fazer os revolucionários do Twitter para impor a sua ferramenta? Mais aviões não, por favor, que isto está a tornar-se um bocado previsível.

Precisão e o jogo da vida

Hoje, a propósito do acidente com o avião da Turkish Airlines na Holanda, a CNN tinha, escrita num rodapé, a seguinte frase: Some passangers died, some survived. O pragmatismo será sempre um charme.

sábado, 21 de fevereiro de 2009

No outro dia, Desmond Tutu disse, em público, que Barack Obama devia pedir desculpas pela invasão do Iraque. Eu também não percebo porque é que, chegado ao poder há um mês e um dia, Obama não teve ainda a hombridade de pedir desculpas pela Guerra da Secessão. Mas é claro que isto foi só um pretexto para escrever aqui a palavra secessão.

No outro dia, alguém veio ter comigo para me dizer que não lia mais o blogue (note no "mais" o sotaque brasileiro), por ter piorado de qualidade. Qual blogue?

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Have I failed?

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Michel, le grand. E todos os outros.

Gosta mesmo de quem é? Não preferia ser outra pessoa?

Lá fora chove. Cá dentro também.

Esperança

Gosta de quem é? Olhe para mim. Outra vez.

Uma palavra são sempre duas, mas ficamo-nos por aqui. Não quero maçá-lo com linguagem.

O cúmulo da inutilidade faz-me tanta falta.

A porta dos fundos

Se está sempre em cima do acontecimento, pense bem se não é o acontecimento que está em cima de si. Se tem gostado, é provável que estejam a comê-lo por trás.

Gosta de quem é? Pense outra vez, pode estar enganado.

Hoje o dia correu-me maravilhosamente. Quase não existi.

Não sei distinguir bem entre a merda e a inspiração. Mas gosto de cagar.

A melhor coisa que me aconteceu não foi a melhor coisa que lhe aconteci.

Eu sei, eu sei.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Há a velha nova história das palavras e dos lugares comuns, das palavras que são lugares comuns e fazem lugares comuns, isto é, das palavras que fazem coisas e das coisas que as palavras fazem. Nos fazem. Um homem é aquilo que diz. Um homem é aquilo que ouve. Um homem que diz é um louco. Um homem que ouve é um louco. Um homem é sempre um louco, mas um louco nem sempre é um homem. Não há loucura que chegue a um homem para um homem deixar de ser um homem; ou um louco. Enfim, aquilo que é, aquilo que for, o que quer que seja. Um louco é tudo o que um homem deve ser para sobreviver. Diz e ouve, é aquilo que diz e é aquilo que ouve. Um homem é um homem para o que nasce, se nascer louco. Senão, nasce para aquilo que tiver de nascer. Há, neste mundo – e no outro, porque neste os homens não duram sempre, não sobrevivem – homens que querem ser loucos e não conseguem, porque são homens, e aquilo que dizem, e aquilo que fazem é o que são. Coitados. São loucos.

sábado, 31 de janeiro de 2009

Tati


A RTP2 sabe que estou de cama e vai passar daqui a pouco, a partir das 22h30, dois filmes de Jacques Tati.

(A imagem é do magnífico arquivo que a Life decidiu abrir ao público; Tati, num táxi de Nova Iorque, fotografado por Yale Joel, em 1958.)

Freeport

Divirta-se.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

O que vai ser de nós?

Obrigada.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Tragédia

é estar aborrecido e não ter chocolate em casa.

domingo, 25 de janeiro de 2009

E se eu um dia escrever uma coisa assim, prometo que volto.

"Then he would rise from the piano to perform his Monkish dance. It is always the same. His feet stir in a soft shuffle, spinning him slowly in small circles. His head rolls back until hat brim meets collar, while with both hands he twists his goatee into a sharp black scabbard. His eyes are hooded with an abstract sleepiness, his lips are pursed in a meditative O. His cultists may crowd the room, but when he moves among them, no one risks speaking: he is absorbed in a fragile trance, and his three sidemen play on while he dances alone in the darkness. At the last cry of the saxophone, he dashes to the piano and his hands strike the keys in a cat's pounce. From the first startled chord, his music has the urgency of fire bells."


Sou um cliché. Só gosto de standards. E vou jantar iscas de cebolada com batatas cozidas.

I like to spell "Thelonious"

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

A Ana de Amsterdam faz belos broches.

Desculpas para tudo

É incrível como as pessoas se deixam mediocrizar pelo trabalho.

Nihil

A minha vida dava um blogue; já o meu blogue.

O Blogger sugere-me: "Acelere o seu blog!" Mais ainda? Ao pé desta rapidez, até os créditos finais dos filmes que passam na RTP são lentos.

O verdadeiro significado da exclusão social

Parece que toda a gente conhecia o João Aguardela.

O Blogger sugere-me: "Exiba seus fãs!" Mas como, se vejo tão bem que eles têm vergonha de se exibir?

Dava-me um jeitaço que isto, de vez em quando, se parecesse com um blogue. Como dantes era o que nunca foi.

Sobre o post anterior, perguntaram-me se estava 'com os colhões apertados'. Ainda hoje me custa responder: se os tenho apertados, deve ser porque não os tenho.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Civilização

Afinal, o trabalho prende. E prende. E volta a prender. Durante uns dias, fiquei feliz por ter comprado um objecto estúpido. Às vezes, ainda acho que consegui alguma coisa especial. Mas não. O trabalho prende. Há coisas que o trabalho e o dinheiro não pagam - diz o povo, tão bem, e o povo não sou eu, que eu digo o que não sou capaz de fazer. Tenho saudades de ti. E de ti. E de ti. E de ti. E de ti. Do que costumávamos fazer juntos, viver juntos, rir juntos. Não sei porque trabalho tanto se, no fundo, eu tenho saudades é de ti. Se algum dia me conseguires perdoar por tudo o que eu tenho trabalhado, por favor, bate-me. Eu sei que a minha vida de trabalho só está a começar agora, sei que não trabalhei ainda metade do que vou trabalhar. Mas peço-te perdão, porque todos os minutos em que trabalhei poderiam ser minutos em que matava as saudades de ti, tantas, tão fortes, dilacerantes. Eu trabalho, às vezes, sem saber trabalhar, e sempre por não saber viver. Não sei para que trabalho, se para já está tudo na mesma. Acredito, às vezes, por um tempo poucochinho, que um dia tudo será diferente. Melhor. Eu só não quero que esse dia seja tarde demais. Perdoa-me por tudo o que eu tenho trabalhado, por tudo o que eu vou trabalhar. Estás sempre comigo, noite e dia, dia e noite, e, tendo-te já, fazes-me querer-te mais do que tudo o que já quero. Perdoa-me. Andas por aí. Deixo-te só. Sinto-me só.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Os jornalistas da SIC chamam ao cumprimento de uma decisão judicial decretada há quatro anos (entregar Esmeralda à guarda do seu pai) uma “reviravolta judicial”. E o que será para o psicólogo Eduardo Sá? A verticalização instantânea do eixo da Terra?

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

A canção pop do ano que passou, a respectiva paródia e a melhor cover*











*Tão Peter Greenaway que isto está.

Ring-a-ding-ding (happy New Year me [and you])


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