segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Há a velha nova história das palavras e dos lugares comuns, das palavras que são lugares comuns e fazem lugares comuns, isto é, das palavras que fazem coisas e das coisas que as palavras fazem. Nos fazem. Um homem é aquilo que diz. Um homem é aquilo que ouve. Um homem que diz é um louco. Um homem que ouve é um louco. Um homem é sempre um louco, mas um louco nem sempre é um homem. Não há loucura que chegue a um homem para um homem deixar de ser um homem; ou um louco. Enfim, aquilo que é, aquilo que for, o que quer que seja. Um louco é tudo o que um homem deve ser para sobreviver. Diz e ouve, é aquilo que diz e é aquilo que ouve. Um homem é um homem para o que nasce, se nascer louco. Senão, nasce para aquilo que tiver de nascer. Há, neste mundo – e no outro, porque neste os homens não duram sempre, não sobrevivem – homens que querem ser loucos e não conseguem, porque são homens, e aquilo que dizem, e aquilo que fazem é o que são. Coitados. São loucos.