sexta-feira, 13 de março de 2009

E eu a ver (popular)

As pessoas andam tristes. São tristes. No comboio para casa, sou triste com elas. Nunca pensei poder ser tão triste e nunca pensei ver tanta tristeza no caminho para casa. Será por estar triste, por ser triste? A palavra "eu", num mundo triste, é suja. E num alegre também. O menino que hoje me sorriu e que uma senhora triste levava pela mão, a toque de caixa, não era triste ainda. Porque eu pensei nele assim, passou a sê-lo. Tenho sempre pena das crianças que os adultos levam a toque de caixa, ignorando a evidência - física e geometricamente comprovável - de que as suas perninhas são bastante mais pequenas do que as deles. Arrastar uma criança assim, para a nossa pressa, é arrastá-la para a sua morte enquanto nos arrastamos para a nossa. Uma injustiça, no mínimo.

Mãe, porque me levavas sempre, para todo o lado, a toque de caixa? Tenho muitas saudades de não saber por que motivo o fazias. Como aquele menino que já é triste e ainda não sabe.