segunda-feira, 25 de abril de 2011

Alexandra

Sempre quis ter um irmão (ou irmã) mais velho, ou mais ou menos da minha idade. Alguém com quem pudesse partilhar as minhas angústias privadas e familiares, alguém que atenuasse a minha sensação de desvio do mundo, de pertença a uma realidade extraterrestre - no fundo, alguém que diminuísse a minha presunção. Conheço muitas pessoas que se dão mal com os irmãos, que se dão com eles como aquilo que eles são: outras pessoas, das quais se pode ou não gostar. Com elas aprendi que o mesmo sangue, a mesma família, podem ser só coincidências - coisa que, na maior parte das vezes, são. Tenho irmãos mais novos que amo quase como filhos: com infinita ternura, insuportável chateza e desproporcionado sentido de responsabilidade. Mas, por algum motivo, quando penso em irmão, irmã, há um nome que sai da minha boca, célere e inevitável como um palavrão. Podia ter chegado antes, ter-me poupado momentos de grande tristeza e enorme confusão; podia ter-me abanado quando pensei mal, ter-me mandado à merda quando agi pior; e devia ter-me abraçado quando nenhuma palavra chegava para me reconfortar. Quando chegou, no entanto, foi como se cá tivesse estado desde sempre. Como as árvores que não vimos crescer.

Alexandra. Árvore. Irmã.