domingo, 24 de abril de 2011

Escrita, Ciúme.

É muito comum entre as pessoas que acham que sabem escrever ou que gostam de escrever ter uma crise e decidir: não escrevo mais, nunca mais, porque antes de mim houve x, porque antes de mim escreveu y, porque depois de mim haverá z e sou contemporâneo de w, que escreve muito melhor do que eu alguma vez escreverei. No entanto, há algo ainda mais comum entre os escrevedores: a pulsão de escrever é, quase sempre, muito mais forte do que a vergonha de o fazer. A lógica é simples: se há quem leia, é porque há quem goste (nunca entenderei os que lêem porque não gostam, para criticar, porque, como já disse, o tempo é pouco e acho imbecil usá-lo com coisas de que não gostamos). É como o ciúme no amor, que para ser saudável exige uma dose razoável de auto-estima e confiança: se ele ou ela está comigo é porque é comigo que quer estar, ou porque alguma coisa hei-de ter de melhor. Lavar os olhos - e, às vezes, outras partes do corpo, se não for em exagero - é outra coisa. A higiene é uma coisa bonita e a limpeza uma qualidade apreciável.