terça-feira, 3 de maio de 2011

Bin Laden

está morto. O regozijo com que os norte-americanos celebram a sua morte é uma coisa que, talvez, só eles possam sentir. Porque a 11 de Setembro de 2001 foram eles que levaram com dois aviões no coração e alguém lhes disse que a culpa foi do homem que agora morreu. Ou talvez tenhamos sido nós todos a levar com aqueles aviões. Sim: eu estava lá; estávamos todos lá, naquele dia e nos dias seguintes. A grandeza inquestionável daquela atrocidade, a força das imagens que produziu são capazes de unir o mundo inteiro em ódio e/ou perplexidade. O problema é a morte. Tomando como inspiração aquela frase de Estaline que toda a gente cita mal, pergunto: qual é a diferença entre matar um e matar milhares? Qual é a diferença entre matar um à socapa e milhões sob o pretexto da guerra? A legalidade tem destas coisas. Quase ninguém quer e, na verdade, ninguém pode viver num mundo sem leis. Legalmente, é uma ousadia não contemplar a guerra Kant, por exemplo, bateu-se contra a existência de exércitos permanentes, mas nunca contra a segurança; é um bem do qual não abdicamos.

Nota: Digo que alguém lhes (nos) disse que foi Osama Bin Laden o maestro do 11 de Setembro porque eu ainda não tenho a certeza por isto, por isto e por aquilo. Mas de uma coisa sei: o mundo ficou pior depois desse dia. E do dia de ontem, em que vi o Ocidente celebrar a morte de um homem. Como muitos muçulmanos dizem ter vergonha do que os terroristas fazem da sua religião, também eu digo que tenho vergonha. De chorarmos assim, celebrando a morte de um homem, a morte do mesmo número de pessoas que, todos os dias, várias vezes por dia, matamos à fome. Mas compreendo. Ou compreenderia, ao menos, o alívio e alguma satisfação.

3 comentários:

Luis Gaspar disse...

Percebo o teu ponto. Só sou um pouco mais céptico em relação à ligação entre bin Laden e aquela que ficou conhecida como a guerra ao terror. Não acredito que vá resolver algum problema definitivo, vai no entanto legitimar as acções dos americanos, algumas delas com resultados imprevisíveis (mesmo e até especialmente para eles).

cs disse...

Percebo o que quer dizer mas sinto neste acto um aferição absoluta com o farwest.

Foi o Bin, o Kansas Kid, ou um qualquer fora da lei morto à porta de um sallon com o revolver na mão tentando defender-se.

Não será tanto assim, mas esta novela tem qualquer coisa Bushiana que me faz arrepiar caminho.

Bom texto, contudo.

cai de costas disse...

Obrigado por compartilhares.