quarta-feira, 4 de maio de 2011

Estupidez

Certos sentimentos, certas coisas que fazemos para reproduzi-los, fazem-nos sentir estúpidos, ridículos. Como Pessoa dizia, todas as cartas de amor são ridículas e assim por diante. Sejam. Uma vez, talvez duas ou três, fui ter contigo, aos sítios por onde andas, sem saberes, para te ver ou assim, sei lá. Dessa vez, de todas as vezes, o medo de ser ridícula paralisou-me, fez-me chorar, não de tristeza mas de vergonha. Entendo, finalmente, que os nossos sentimentos só estão certos – sim, é isto – enquanto não nos importarmos de que sejam, de nos sentirmos, [hesito sempre nesta vírgula] ridículos. Se um de nós passa a importar-se, o outro fica ridículo aos nossos olhos e exaspera-nos tentar chamá-lo à razão. Depois tudo é cansaço. Disseste-me muitas vezes, por outras palavras, que quem está cansado não consegue amar. Dou-te razão e não te quero mal por não me amares. Sabes que sou incansável.

(28 de Março de 2011)

0 comentários: