sexta-feira, 20 de maio de 2011

Vinte e três

Serei capaz de amar quem não inveje os meus vinte anos só porque estes são os meus, só porque os seus já passaram. Por ser tudo, a idade não é nada. Por não ser nada, a idade é tudo. Por não ser tudo, a idade é tudo. Por ser e não ser tudo, a idade é o que é. Somos nós. Nós somos aquilo que queremos ser, tudo o que quisermos ser; mesmo que não nos deixem ser o que queremos ser, é isso que somos: alguém que aceita que não o deixem ser aquilo que quer.

A nossa idade é, assim, a que quisermos ter. Estes vinte anos são meus. Quem quiser os seus que os tenha. Quem não conseguir tê-los é porque já os teve, ou porque ainda não os tem, ou então porque os não quer ter. Quer os meus e não os seus vinte anos e eu compreendo: também só quero os meus. Não quero os de quem já os teve, nem os de quem ainda não os tem, e muito menos os de quem não os quer ter. Quero os meus, já. E, porque quero, tenho.

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