terça-feira, 28 de junho de 2011

Angélico

Vamos velozes na estrada-serpente. Eu, Obélix, para comer javali; tu, por Toutatis, para ver artesanato – inútil quilometragem. Tu dormitas de um certo cansaço (será de mim?) e eu arrepio-me, porque há animais mortos pelo alcatrão – lebres e coelhos, duas ou três perdizes. Naquele cruzamento pelo qual passámos três vezes, uma enorme mancha de sangue que tu nunca viste, parecia que tinham matado um porco mesmo ali para fazer chouriço. Ou talvez secretos, porque na verdade o porco nunca apareceu. Não abres os olhos para me dizer que vá mais depressa. Se é noite, exiges-me os máximos com razão. No rádio, a tua querida Pietra Montecorvino, tigreza doce-feroz que adoptou o nome de uma comune com dois mil e novecentos habitantes na província de Foggia (41°33'N 15°08'E), região de Apulia - código postal 71038. Tudo isto é novo para mim. A liberdade, a irresponsabilidade de um pé pesado no acelerador, como se a minha vida me pertencesse e a tua também, que ainda por cima vais sem cinto. E a música, que parece uma carroça conduzida por um rústico: imparável, aos solavancos. Sobreviver-te é uma sorte.


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