terça-feira, 7 de junho de 2011

Liberdade

É raro uma mulher apaixonar-se pela beleza de um homem. Como a minhas avós se apaixonaram pela de James Dean, Marlon Brando, Paul Newman ou Alain Delon. Como eu me apaixonei pela de Brad Pitt montado em cima de uma Harley-Davidson em The Curious Case Of Benjamin Button, lindo como Dean, Brando, Newman ou Delon - sim, é mais fácil apaixonarmo-nos pelos nossos contemporâneos.

Isto acontece porque o homem é sempre potencialmente feio, e quanto mais nu mais potencialmente feio é. No entanto, há coisas nos homens nus, mesmo os feios, que atraem as mulheres. A força personificada nuns braços ou num peito imponentes, por exemplo. Uns olhos acesos como lenha em lume. Cabelos revoltosos como cristas de algumas ondas, quase em vértice, quase lâminas. E assim por diante.

Por ser tão rara, a beleza clássica, vitruviana de um homem tem de ser substituída pela sua inteligência. Melhor dizendo, a sua inteligência torna-se na sua beleza. Quem ama a beleza tem poder: ama o que existe, porque a beleza é palpável, factual, ainda que subjectiva - isto é, é mais fácil transformar a fealdade em beleza (acho-te bonito sabendo que és feio) do que a beleza em fealdade (és muito bonito, mas acho-te feio).

Amar a inteligência, mesmo feita beleza, é mais difícil. Ninguém está livre de nascer bonito e a beleza é uma coisa que se vê sem que o seu portador precise de abrir a boca, exprimir um pensamento. Amar uma inteligência é amar uma liberdade. Ou seja, é amar o que não se pode ter. É uma luta ganha e perdida à partida. Porque não há, no Mundo inteiro, nada pior do que perder um amor; nem há, no Universo, nada mais amável do que a liberdade.

1 comentários:

Anónimo disse...

Foda-se, tão bom. Tão certo, tão triste.

B.