sábado, 2 de julho de 2011

Grilhetas d'leituras

O Luís e o Samuel passaram-me a corrente (se bem que eu não sou Faia, mas Viena é aqui). Não li nada, por isso vou responder: não quero esconder quem sou.

1. Existe um livro que relerias várias vezes?
Todos. Ganho muito, muito tempo a reler livros - não é tempo perdido.

2. Existe algum livro que começaste a ler, paraste, recomeçaste, tentaste e tentaste e nunca conseguiste ler até ao fim?
Muitos. Lembro-me, de repente, de A Escrava Instruída, sobre o qual tenho um dilema de tesão-nojo indescritível. Por falar nisso, vou tentar recomeçar outra vez.

3. Se escolhesses um livro para ler no resto da tua vida, qual seria?
Não querendo copiar ninguém, mas copiando toda a gente: todos os que não li. Se só pudesse ser um, ou se como em Fahrenheit 451 tivesse de decorar um livro para sê-lo seria O Último Justo. (Já sou.)

4. Que livro gostarias de ter lido mas que, por algum motivo, nunca leste?
Todos. Mais precisamente: Bíblia, Moby Dick, Ulisses, Guerra e Paz e Cosmos, por exemplo (todos na estante, à espera).

5. Que livro leste cuja “cena final” jamais conseguiste esquecer?
Os Maias, manual de vida, graça, pensamento, gramática e pontuação: "Falhámos a vida, menino!"

6. Tinhas o hábito de ler quando eras criança? Se lias, qual era o tipo de leitura?
Os Cinco eram os meus favoritos. Também lia Tintins, comme il faut, Robert Louis Stevenson, Agatha Christie, Erle Stanley Gardner, muito Eça de Queirós e O Amor é Fodido, que o meu pai me ofereceu precocemente achando-o adequado para me ajudar a compreender uma primeira paixoneta. Depois leu-o e arrependeu-se - devia tê-lo lido antes. Foi o primeiro livro adulto contemporâneo que li, isto é, tinha sido escrito há menos de um século e o autor ainda está vivo.

7. Qual o livro que achaste chato mas ainda assim leste até ao fim? Porquê?
O Capital, por convicção e amor a um comunista - que acabariam por se dissipar com a ajuda de outro livro, brilhante, por sinal: Porquê Ler Marx Hoje. Curiosamente, foi esse amor comunista que mo ofereceu - contributo para uma definição de "contraproducente". A Crítica da Razão Pura também é uma seca, apesar de brilhante e empolgante em algumas passagens.

8. Indica alguns dos teus livros preferidos.
Todos adolescentemente convencionais, clássicos, mas bons em qualquer parte do mundo: O Livro do Desassossego, Lolita, A Metamorfose, O Último Justo outra vez, Uma Agulha no Palheiro (a tradução mais livre do magnífico Catcher in The Rye), O Crime do Padre Amaro, Górgias, O Retrato de Dorian Gray, 1984, O Que Diz Molero, Bartleby, A Morte e a Morte de Quincas Berro Dágua, A Trégua, qualquer coisa escrita pelo Luís Fernando Veríssimo - mesmo que seja uma lista de compras -, O Professor e o Louco e uma deliciosa descoberta recente: O Café Debaixo do Mar.

9. Que livro estás a ler?
Presa Branca - e a seguir vou para O Lobo das Estepes, para não sair da espécie.

10. Indica dez amigos para responderem a este inquérito.
Amigos ou amigos do Facebook? De tudo um pouco: o meu bibliotecário favorito, a minha poeta favorita, o Nuno, só para o ver dar sinal de vida, a minha rival favorita (se bem, temo, não vai muito em correntes), o Luís Miguel Oliveira e, em pack, a Mónica Marques e o Pedro Vieira: porque são divertidos, escrevem livros e isso é uma coisa corajosa. Chega.

E agora um miminho: A melhor resposta de sempre a esta corrente e a todas as que ainda hão-de ser inventadas.

4 comentários:

MCS disse...

"mesmo que seja uma lista de compras", escrevi uma coisa assim relativamente a outro autor (também neste questionário).

Anónimo disse...

"se bem, temo, não vai muito em correntes" não é grande português. A locução concessiva "se bem que" - a supressão do "que" é uma afectação estilosa - rege com o conjuntivo.
Quanto à resposta do Atum ao inquérito, já o maradona convocara a atenção da blogosfera em geral para a genialidade da dita cuja.

Filigraana disse...

Não vi, MCS, peço desculpa.
Mas é uma expressão comum.

MCS disse...

Não tem que pedir desculpa, o que eu queria dizer, e reforçar, era que quando gostamos muito de um autor, queremos ler tudo o que ele escreveu.
Já agora, quando escrevi isso referia-me ao John Fante, a minha "descoberta" do ano passado.