quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Erosão

Dizer a coisa errada na hora errada, ou mesmo a coisa errada na hora certa é um dos meus estados - foi de propósito que não disse defeito, porque é só um estado. No meu mundo, à minha mercê, o que é fraco (não digo frágil de propósito, a fragilidade pode ser um estado e não um defeito) deve ser abandonado. O que é forte, com ou sem erros na hora certa ou errada, mantém-se naturalmente de pé. Percebo o que a noção de exagero representa aqui, mas acredita: é muito mais importante a de escassez. Se algo existe em demasia, ficamos só com o que disso nos interessa; se existe de menos, nunca nos podemos satisfazer. E a satisfação, sabe-lo bem, é uma maravilha indispensável. Eu sou o vento (não somos todos?): além das coisas boas que trago e sopro também provoco erosão. Por falar em erosão: sabias que a Esfinge foi esculpida do próprio solo de Gizé? E que Ela mesma, tão preservada pelos homens (que preservam, apesar de tanto holocausto, muito mais do que destroem), não se corrói só de vento, mas também da própria matéria de que é feita? Sal, por exemplo, como eu – que tanto me destruo como me preservo. Resta-nos, agora, saber quem tu és, mas eu digo-te quem gostaria que fosses (porque dizer também é um dos meus estados): a Esfinge. Tens sido.

4 comentários:

cs disse...

gosto muito do que escreve :)

dedalusdedalus disse...

Sou pessimo em tecer elogios e outras variantes da vida comunitaria, mas conta a intençao e a intençao é boa. Tambem gosto do que escreves

Filigraana disse...

Obrigada a ambos e outran variantes da vida comunitária (adorei).

Laura Ferreira disse...

Ufa. Fantástico.