domingo, 7 de agosto de 2011

Mentiras piedosas

Em O Anticristo, comparando os fins destrutivos de cristãos e anarquistas, Nietzsche escreve: «Efectivamente é necessário considerar com que fim se mente: é muito diferente se a mentira é para conservar ou para destruir.» O filósofo considera, assim, por exemplo, que dizer "Não te amo" quando se ama é mais grave do que dizer "Amo-te" quando não se ama. Eu também; se é para doer, ao menos que seja verdade. O que Nietzsche não contempla, porque está apaixonado por si mesmo, é que não há verdade sequer na assunção de que não há verdade: nem sempre o que parece é e, muitas vezes, o que é nem sequer parece. Dizer que milagres acontecem faz de mim crente ou anarquista?

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