domingo, 11 de setembro de 2011

9/11

No dia 11 de Setembro de 2001 eu tinha 13 anos e queria ser jornalista. Tinha-me vestido para sair com a minha mãe: compras e depois praia, para queimar os últimos cartuchos do Verão. Estava a ver as notícias quando o pivô interrompeu a emissão para dar conta do que se estava a passar em Nova Iorque. A cidade onde eu sempre quis ir, por causa do cinema, por causa de Frank Sinatra. A minha mãe ia-me avisando de que estava quase pronta e sairíamos dali a instantes, com a presteza que lhe é tão característica e que eu invejo porque não herdei. Já naquela altura tinha a chico-espertice que a TVCabo permite e mudei de canal para a CNN. Passaram-se alguns segundos apenas. Mãe, anda ver isto. Não podia, íamos sair de casa, íamos já. Mãe, tu TENS de ver isto. Ela veio, refilona, e ficou como eu, a olhar incrédula para o televisor Nokia enorme, acabado de comprar, que nos proporcionava uma vista privilegiada sobre aquela atrocidade. Ficámos assim uns minutos, sem saber o que pensar. Não tínhamos almoço e precisávamos mesmo de ir às compras. Fomos, mas estava assente que voltaríamos para casa e não iríamos à praia. Enquanto a minha mãe nos abastecia, eu ocupava os corredores do Jumbo de Cascais a escrever SMS ao meu amigo Filipe no meu primeiro telemóvel. Ele respondia-me, ia-me informando — estava em casa, frente à TV. Nessa tarde comprei um jornal. E nos dias seguintes também, muitos, edições matutinas e vespertinas. Queria perceber. No dia 11 de Setembro eu tinha 13 anos e queria ser jornalista. Ainda quero. Mas não para perceber. Há coisas que jamais perceberei.