quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Doença

O meu amigo dá-me duas hipóteses, que no fundo são uma só: engolir, ou não, um sapo e seguir, ou não, em frente. Em todo o caso, avisa-me, tenho de ir ao médico. Ter de ir ao médico é que me preocupa. Estarei, afinal de contas, apenas doente? E se não estiver apenas doente? Não estar doente é que me preocupa. E se eu for mesmo tudo aquilo que abomino e tudo aquilo que eu abomino for mesmo eu? Mato-me? Conformo-me com ser detestável e vivo como se ser detestável não fosse, também, uma doença?

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