quinta-feira, 5 de abril de 2012

Pela mão

Li uma frase de Kafka -- «o que não existe é o que não foi suficientemente desejado» -- que me lembrou outra que D. costumava citar, de Maurice Blanchot -- «o desejo é a distância tornada sensível». Passo a vida a falar de como não quero falar, só sentir, e a vida prega-me partidas: desejo o que está distante e, pior ainda, não sei o que mais desejar. Gostava de que um dia o caminho fosse, para mim, mais importante do que a meta, mas para isso é preciso que me levem pela mão e me calem com um beijo. Leva-me pela mão e cala-me com um beijo.