terça-feira, 14 de agosto de 2007

Acho o Algarve (tirando um ou outro casinhoto na Manta Rota e uma pensão cinematografíssima que conheço em Vila Real de Santo António) insuportável. O barulho, o movimento e a abundância de pessoas irritam-me, porque dos não sei quantos mil milhões de pessoas que existem só há umas vinte dúzias que se aproveitam. Não aprecio o litoral e, por gostar de mar, desconsola-me que não haja um mar suficientemente ermo para se parecer com uma árvore no meio de uma planície. Um limoeiro, pode ser um limoeiro, que os limoeiros crescem em todo o lado.

Com este blogue tenho aprendido várias coisas. Várias, mesmo. Mas a principal coisa que aprendi é que a generosidade e a falta de gosto não têm limites. Provo tudo com exemplos, não importando para nada a ordem em que aparecem:
- 1
- 2
- 3
E uma ou outra cacetada a quem ainda não percebeu que tísica em vez de física é rigorosamente de propósito.

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Hoje, no autocarro que me trouxe a casa, havia duas senhoras que conversavam, cada uma na sua ponta do autocarro, e conversavam alto como se houvesse uma parede a separá-las. Ao lado de uma dessas mulheres, um assento livre pedia que a outra se deslocasse e se inclinasse apenas um pouco para continuar a conversa com algum conforto e privacidade. Atrás, outro assento vazio pedia sussurro, boca no ouvido, mistério e recato. Mas elas falavam alto e falavam uma com a outra de coisas, decerto, interessantíssimas. Não falavam do tempo, não falavam de sexo, não falavam de política ou de Maddie McCann, nem sequer de metafísica. Não sei do que falavam, mas sei que não era de nada disto. Se eu conseguisse ter entendido, talvez pudesse depois escrever um romance policial, transformar aquelas histórias que elas contavam - que elas pareciam contar - em pensamento suspenso, em inteligência pendurada com molas da roupa, sempre a ameaçar cair, sobretudo se os últimos dias têm sido abundantes em rabanadas. Aquelas mulheres eram vulgares e mal-educadas, mas eu salvei-as. Swing nos auscultadores, dentro de um autocarro sem ar condicionado, alucina. Há um contorno de cadáver em cada rotunda e quem fala alto, como se não temesse nada, é sempre o principal suspeito. Foi o meu swing no volume máximo que nos salvou. Salvou as mulheres do meu policial e salvou-me a mim de uma tremenda dor de cabeça.

Como pedir a mão de alguém em casamento se estiver apaixonado e for um executivo de sucesso

Aposto que o teu retrato fica muito bem em cima da minha secretária.

domingo, 12 de agosto de 2007

Breve maltratado das coisas que não existem [30]

Dizer que fulano «não sabe o que faz» é ignorar os mistérios essenciais da existência. Se fulano soubesse, não fazia. Fulano somos nós.

ideologia.doc

Os comunas alinham o texto à esquerda. Os fascizóides alinham o texto à direita. Os socialistas e os social-democratas centram o texto. Os dissidentes, quer tenham centrado ou alinhado antes, preferem sempre justificar.

Tenho um fraco por blogues começados por tê. Isto é, por todos excepto o Teu.

Ai Sellers? Olha que eu compro.

quinta-feira, 9 de agosto de 2007

Fui, durante anos, exímia na arte de escrever muito sem dizer nada. Sou, agora, aprendiz dedicada da arte de não dizer nada em poucas palavras. Usa-se menos vocabulário, mas sobra muito mais tempo para viver.

Como diz um bom amigo

Tens mesmo de te convencer de que és o máximo, principalmente porque não vou ser eu a assumir essa responsabilidade.

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

A menina chora da estação de comboios até à rua, não quer que a tia se vá embora. A tia tem de ir, vai trabalhar. A menina não quer que a tia vá, mas a tia vai. A menina faz birra até à rua, chora e chora muito, a mãe vai explicando as coisas para a menina ter calma, até que se zanga muito e perde a paciência. Pede-lhe para parar com a birra, fala grosso, faz cara de má. A menina soluça e sabe que já não tem hipóteses. A mãe vai à frente da menina, quase a correr, a empurrar um carrinho de bebé, de um outro bebé mais pequenino, e a menina tenta alcançar a mãe e como não consegue chama-a. Mãe, mãe, mamã, mamã... A mãe mamã pára e pergunta o que é. Beijinho, mamã. A mãe tira as mãos mais generosas do mundo do carrinho do seu outro bebé e abraça esta menina, dá-lhe beijinhos. Beijinhos, beijinhos!

terça-feira, 7 de agosto de 2007

Para todos os mostrengos, de Norte a Sul do país, do mostrengo Quim Barreiros ao mostrengo D. Dinis

ils pissent comme je pleure

Gosto de crianças e de gente bruta. Há algo de sublime e delicado no não saber pensar. No não pensar há um conforto, mas no não saber pensar há a presença divina, que só conforta quem a sente porque precisa dela - pois há quem a sinta sem precisar dela. Dizer coisas da boca para fora é só, simplificando, antecipar o gesto (sempre divino), isto é, deixar que ele ocorra em nós antes do pensamento. Ver muito e nunca ver o suficiente, como as crianças, os brutos e os outros animais inconvenientes fazem é saber tudo sem o desconforto de saber alguma coisa. Quem sabe alguma coisa e não sabe tudo nunca se conforma com o facto de haver sempre alguém a saber tudo e, sobretudo, com a existência de dois ou três gatos pingados que, não sabendo tudo, sabem alguma coisa. O não saber pensar é, para as pessoas normais - as que, não sabendo nada, sabem algumas coisas e parecem saber tudo -, o mesmo que receber nos anos uma coisa que não tem para elas qualquer utilidade. Mergulham no dilema de não saber se aprendem para que serve essa coisa ou se a deixam numa estante a enfeitar. O que distingue o bruto da criança é o facto de ser a criança a aprender e o bruto a enfeitar. A excepção redentora são as crianças brutas e os brutos que o são por nunca terem sido crianças.

Quase um repost

Nunca soube bem o que Jacques Brel acha de Amesterdão, mas foi com ele que aprendi que a verdade é mais aquilo que vemos do que aquilo que pensamos.

Perseguição - devidamente fodida - a uma ou outra besoura

Trabalho na Abóboda, moro algures na linha de Sintra e tenho uma relação para lá de afectuosa com a Bobadela. Não me classifico humana nem propriamente marciana, como este blogue, mas sempre estive curiosa para saber o que sou. Não sendo racista e apesar de ter sido, na infância, insultada por vários pretos pelo simples facto de ser branca-de-lividez-vitoriana (estudava muito perto da Pedreira dos Húngaros), parece que sou mostrenga. Resta-me despedir-me, pois vou ter de ir ali à mercearia comprar os manuais de Sânscrito. Aproveito para vos contar, como quem não quer a coisa, que o sítio mais próximo da Lapa no qual poderia ter escrito este post é um cibercafé no Martim Moniz e, se falássemos de Cascais, a verdade é que só tenho guarida em S. Domingos de Rana - e sem Internet.

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Agora, por causa de Woody Allen, já não se pode gostar de Barcelona tanto como eu gosto. Vou ficar com Praga e com as suas duas mulheres.

Não há nada mais filosófico do que o sofrimento dos outros.

Não sou ecologista. O meu único desejo é que isto tudo passe depressa.

Não me canso dos lugares-comuns. Bancos de jardim, transportes públicos, pastelarias, coisas que já toda a gente sabe. Canso-me de mim. Oxalá isto nunca mude, isto é, tomara que não demore muito a mudar.

Vou falar de sono, a sério. Há uns meses, todos os meus sonhos eram Fellini, Fellini a preto e branco, eram estranhos, morria muita gente de uma morte mais ou menos morta, eram absurdos, estúpidos, comoventes, graficamente bonitos, algumas vezes sujos mas sempre Fellini, sempre uma estrada curta e uma curta estrada e as bochechas da Giulietta Masina. Agora, todos os meus sonhos são uma ou outra parede branca, uma ventoinha que dá ruído a um escritório abafado, uma barriga que dá horas, tic tac tic tac, uma folha de cálculo vazia, ena olha a quantidade de rectângulos vazios à espera de sentido, duas ou três anedotas e a boleia de um senhor muito sorridente que ouve e assobia a Romântica FM com devota diligência. Ultimamente, como vêem, sonho com o meu trabalho. Hoje, neste Verão part-time, os meus sonhos são Manoel de Oliveira: intermináveis.

Uma coisa de cada vez

ona.

Se me quiseres ofender, nunca me chames azeitona.

Profissão? Escolho a de fé. Sua-se pouco e nunca se corre o risco de vir a ser uma personagem de Adília Lopes.

Há mulheres para as quais qualquer homem é servente.

Cenas da vida conjugal

Um relojoeiro cornudo que chegava sempre atrasado.

E os dinamarqueses não foderão, com certeza, em sofás.

Nem todo o africano fode em bold.

O revisor exige à senhora que, para ser devidamente fodida pela parte traseira, se ponha em itálico.

Declaração de amor confundido com desejo de talhante

Quero ilicitar no teu leilão.

Breve maltratado das coisas que não existem [29]

Superioridade numérica. Tudo o que tem matemática já ultrapassou, há muito, a atmosfera.

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

Há aquela ideia segundo a qual um blogue tem de ser uma coisa pessoal. Concordo, em certa medida. Um blogue que não é o naufrágio de quem o escreve não é um blogue, é uma seca tremenda, um paraíso para a opinião - quase sempre desprezível e despropositada - e um resort de luxo para quem não sabe nada sobre si mesmo e, em sentido idiossincrásico, talvez nem exista. Há certas coisas que, segundo consta ou parece, as pessoas que escrevem blogues nunca fazem. Por exemplo, uma pessoa que escreve um blogue, a não ser que seja muito ordinária, nunca tem diarreia nem se peida, o que me faz achar, na maioria das vezes, que essa pessoa é tão desinteressante quanto o seu blogue. É claro - podem reparar - que há pessoas tão interessantes que não precisam de falar de merda para que os seus blogues sejam bons e, ainda assim, este factor, próximo da tarimba da decência, parece-me um bom indicador do nível de entusiasmo que um blogger pode causar. É fácil escrever algo de pessoal no blogue, principalmente se formos muito aborrecidos e mal-educados. É imprescindível que aquilo que escrevemos de pessoal nos nossos blogues seja tão lugar-comum como, voilà, o próprio peido. Ser filantropo, em certa medida, é admitir que só serve para nós aquilo que também serve para os outros. As experiências que relatamos em estado gasoso não são experiências, são segredos. Não faz sentido nada que não seja partilhado - se bem que, por força das convenções sociais, um peido e uma diarreia nos saibam muito melhor em privado. Leio posts onde tudo é de uma volatilidade tal que, parece-me, nem quem os escreveu viveu aquilo. Já escrevi posts assim e, reconheço, devia tê-los apagado. O modelo do livro aberto é, para mim, uma ofensa que lembra aquela que certo jornal nova-iorquino quis evitar quando, num dia de 1829, pediu desculpa aos seus leitores por trazer uma notícia na primeira página, isto é, no exterior do jornal*.

* lido em O que é Jornalismo, Nelson Traquina, Pág. 45

Pensando bem, a razão pela qual não gosto da morte é muito simples de entender: na sua aparência terrena, a morte é definitiva e eu tenho horror ao definitivo. Quero mudança, nem que seja para pior, porque isto de viver todos os dias pode tornar-se muito chato.

terça-feira, 31 de julho de 2007

Castelhano, pois, até amanhã.

Por falar em Hitchcock, lembro-me bem do dia em que acabei de sacar - sim, sacar - Vertigo de um desses programas de downloads ilegais. Qualidade irrepreensível, daquelas que saem tão direitinhas no DVD-R como os cagalhões dos macrobióticos entram nas suas retretes. Embevecida pelo Technicolor, acabei por me lembrar de que Hitchcock realizou o primeiro filme sonoro do Reino Unido. Não estava, portanto, e com alguma certeza, perante um filme mudo. Liguei as colunas e quase morri - nem sei por que razão Deus não me concedeu a graça de morrer, uma vez que os segundos seguintes seriam dolorosíssimos para mim; e daí talvez fosse porque, nessa altura, eu era ateia. As personagens falavam espanhol. Um espanhol perfeito, em perfeita sincronia com os movimentos dos lábios dos actores. Mas era espanhol, espanhol, espanhol, espanhol, espanhol... não, Saramago não sabe.

Breve maltratado das coisas que não existem [28]

A expressão discordo contigo às vezes é muito adequada.

O meu primo pré-adolescente usa a expressão artista de cinema. Está cada vez mais parecido com o nosso avô.

Pelas minhas contas, daqui a um bocadito morre Hitchcock. Ah, tens razão, esse já se foice.

A frase burguesa e protestante que permitiu que apenas dez adolescentes se tornassem adultos de sucesso

O teu quarto é a única área da casa que não se encontra sob a minha jurisdição.

O beijo roubado é tão imoral quanto a respiração boca-a-boca sem consentimento prévio. Daí que seja aconselhável irmos sempre à praia com alguém que já nos tenha roubado um beijo.

O coração também tem linguagem: várias sístoles, outras tantas diástoles e, talvez, alguma fibrilhação ventricular e uma ou outra paragem cardiorrespiratória. Uma carta de amor é o mais parecido que se consegue com a tradução literária de um electrocardiograma.

Algumas considerações sobre a nossa galáxia (1)

A cor de Júpiter é tão entusiasmante como um sul-americano vestido de linho.

Vou começar a levar os meus manuais de italiano para ler no autocarro, a caminho do emprego de Verão. Qui Italia - 1. Lingua e grammatica e O Italiano Sem Mestre. Repito, Estate sei calda come i baci che ho perduto.

Inconfidência

Dizias-me, há uns dias, que és um ignaro. Vamos formar um clube. Lá, não fumaremos charutos nem beberemos uísque velho, mas falaremos dos livros que não lemos, dos filmes que não vimos, dos discos que não escutámos, da filosofia que não percebemos, dos namorados e namoradas que não tivemos, dos pratos que nunca provámos, das notícias das quais não ouvimos falar, dos amigos que não temos e que conhecemos tão bem, de países pelos quais nunca viajámos, dos meios de transporte que nunca utilizámos (eu, por exemplo, nunca andei de avião, que é o meu meio de transporte favorito), das bebedeiras que não apanhámos, dos concertos aos quais nunca assistimos, das contas que não pagámos, das casas que não comprámos, dos carros que não conduzimos, das responsabilidades que não temos, dos animais de estimação que nunca nos ofereceram, dos instrumentos que nunca aprendemos a tocar. Para isto, usaremos todas as palavras que não conhecemos e ainda algumas que não pronunciamos correctamente e não fazemos a mínima ideia de como se escrevem. Ninguém precisará de geometria ou de álgebra para entrar no nosso clube, nem sequer de ser baptizado, basta que, assinando com asseio no final da folha, coloque a cruz na parte da proposta de adesão onde se lê «Declaro que sou um palhaço retórico mas fui salvo da inocência a tempo de não me arrepender de nada.»

Vida

Inspirada por este interessante post - não me venham depois dizer que interessante é a tal palavra que serve toda e qualquer possibilidade de sentido no discurso-, peço perdão, sob a pena previsível de ser ridícula, mas digo que a morte e a velhice são coisas horríveis (e o bold é de uma indelicadeza tacanha). A morte só é boa e alivia porque há vida, e a velhice só conforta quem nunca viveu. Acho preferível, depois de ter achado o contrário durante muito tempo, o lutozinho à distância hermenêutica. Comover-se como os outros (ainda por cima com duas criaturas bonitas - um sueco e um italiano) é saudável e só quem se suicida e quem morre de medo de morrer é que merece, da minha parte, o reconhecimento verdadeiro de um ânimo superior perante a puta da morte - poderia acrescentar nesta categoria as pessoas que morrem a mudar uma lâmpada dentro da banheira, mas nem sempre é bom confundir o suicídio com a estupidez; e não, as pessoas que tentam e não conseguem não se integram na categoria - faço, por isso, minhas (oh!, viva a mestria na presunção e o vermelho sou eu a mandar-me à merda) as palavras de Álvaro de Campos. Só é bom envelhecer quando não há um retrato atrás do biombo. O problema é que ele está lá sempre, mas só alguns é que o sabem.

Andam a morrer demasiados cineastas. É nestas alturas que devemos ter medo do cinema: quando ele está mais próximo da vida.

Uma certa hipocrisia

No autocarro sento-me sempre ao lado da pessoa que parece ter acabado de tomar banho. Ou da pessoa que não leva Kuduro no leitor de mp3.

segunda-feira, 30 de julho de 2007

24 Horas

é o jornal para o qual Bergman nunca morre.

Bergman

Tenho a alegre impressão de que hoje até a Morte deve estar inconsolável.

domingo, 29 de julho de 2007

Caminho para a salvação


*pode ouvir-se completamente aqui.

Bergman sabia que o xadrez é uma seca de jogo e ninguém é capaz de me provar o contrário. Só o jogo da apanhada é que é bom de jogar com a morte - cansa, satisfaz, diverte. Como é bom morrer no coito. Um, dois, três, metafísica não salva ninguém.

É pai e quer ter uma vida tranquila? Regra: nunca ofereça à sua criança um brinquedo que faça barulho ou, se não puder evitá-lo, tire-lhe as pilhas rapidamente e, quando receber as queixas, diga que se avariou.

No filme The Hitchhiker's Guide To The Galaxy, há um planeta de burocratas onde, sempre que dizem "eu acho", "eu penso" ou "eu tive uma ideia", as pessoas levam com pás (que se erguem do chão) na cabeça. Não sei se o que ofende esses burocratas é o pensamento ou o pronome, mas tenho alguma urgência em mudar-me, de nave, para esse planeta.

Nunca se ouve ninguém dizer que faz qualquer coisa por "uma questão de fins". Quem manda são sempre os princípios. As pessoas apreciam muito o passado, eu aprecio mais a possibilidade e a probabilidade do acidente. Mas também acho que a vida não tem de ser emocionante, nós é que temos a obrigação vital de nos emocionarmos.

Sou uma pessoa possessiva. Quero ter-me a todo o custo.

Citar Oscar Wilde pode ser um lugar-comum ou um churrasco entre amigos. Tudo depende do nível de cheiro a esturro.

Há uma coisa horrível que acontece frequentemente às pessoas interessadas no que os outros têm a dizer: são obrigadas a abandonar as suas influências.

Vantagens do paratexto

Ontem vi um filme péssimo, com um enredo convencional mas muito confuso. Aos oitenta minutos lembrei-me de ler a contracapa do DVD ; foi aí que consegui, finalmente, perceber a história.

Sou contra as benzodiazepinas. Acho que todo o doente depressivo devia ter direito à sua parcela de amor desmedido sem esperar nada em troca, de Count Basie Orchestra a tocar no quarto ao lado e de esparregado e batatas fritas com filé mignon e molho tártaro.

Conheço algumas pessoas que dizem ter perdido o interesse pela vida. Essas pessoas não sabem, mas foram contempladas com a forma mais elevada de interesse que se pode ter pela vida: sabem vivê-la como se não a vivessem. Isto é saber tudo. Gosto muito de gente que sabe tudo, mesmo quando essa gente aprendeu tudo isso com uma depressão.

Tenho grandes projectos para realizar, só me faltam algumas noções de filosofia descritiva.

quarta-feira, 25 de julho de 2007

Há uns dias, diziam-me que a coisa principal que os velhos perdem com a velhice é o bom senso. Discordo: o que eles mais perdem é o consenso e, consequentemente, acabam por ter de carregar o peso de ter sempre razão.

terça-feira, 24 de julho de 2007

Do fastio

Apetecia-lhe sempre recusar uma maçada de peixe.

segunda-feira, 23 de julho de 2007

(te) na cidade

Se eu tivesse uma tenaz

Volto ao doutor X, só para explicar que ele atendia os pacientes por ordem diabética e que, devendo eu estar a dormir, estou capaz de matar a família toda do andar de cima com uma tenaz.

Pensar

I sink
You sink
He sinks
We sink
You sink
They sink

«À esquerda da duquesa achava-se o Sr. Erskine de Treadley, velho de considerável encanto e cultura, que se enfronhara, porém, em maus hábitos de silêncio, tendo, como ele um dia explicou a Lady Agatha, dito tudo o que tinha a dizer antes dos trinta anos.»

O Retrato de Dorian Gray, Oscar Wilde, tradução de Januário Leite, D. Quixote.

Não vejo, em todo o mundo, mérito melhor do que o silêncio.

Vida e obra do Senhor José Silva









Jazz com Pretas [9]


Para ti.

Breve maltratado das coisas que não existem [27]

Pudor à primeira vista.

Filosofalo.

As opiómanas iranianas fodem à frente dos seus bebés. Compram ópio em vez de leite para os seus bebés. Muitas mães de muitos meninos iranianos são mães de todos os vícios. Nada me preocupa no aquecimento global a não ser o facto de ele não ser feito de calor humano.

O post anterior tinha o número 666. Tive uma grande amiga que me tratava por "besta". Tenho saudades dela.

Fulano vende saúde. É uma forma de suicídio muito oportunista.

Canal Odisseia

No Irão, há opiómanas que se casam durante seis meses por duzentos euros. Parece-me uma sociedade bastante evoluída: na Europa, as mulheres casam-se achando que é para sempre e não recebem nada em troca. E os antidepressivos são mais caros do que ópio.

O televisor é o objecto mais repugnante que existe, logo a seguir ao telecomando.

Manifesto sei lá

Vivam os ascetas, morram os patetas.

Este ano vais de féeries?

Notas sobre a mitologia dos gregos (5)

Atena era uma Minerva daninha.

Sei muito pouco de hospitais, mas acho sempre melhor recuperar a saúde do que mantê-la. Por causa das flores.

A enfermeira etérea achava o doutor X um verdadeiro traumatismo.

X era médico. Ter a enfermeira etérea na cama era, para ele, uma urgência.

X apaixonou-se por uma enfermeira etérea.

Lewis Carroll e uma menina

A poesia é um tema que não domino.
A poesia é tudo.
Tudo é um tema que não domino.
Tudo é tudo.
Tudo é poesia.
Tudo é tudo o que eu não domino.
Tudo o resto é tudo.
Não domino nada do resto.
Eu evito sempre um canguru.

Quando ela se punha a pensar, chegava à conclusão de que, por mais que se esforçasse, não podia converter o ateu que amava. Chegou a dizer-lhe «Não vês? Se Deus não existisse como é que era? Eu e tu não existíamos.» Foi em vão: ela ainda não tinha percebido, à boa maneira neoplatónica, que é mais fácil amar sem se existir.

Tenho, recentemente, a ideia de que acreditar em Deus nos dá uma superioridade desconfortável. A menos, é claro, que estejamos a discutir com um ateu - nesse caso, a superioridade é desconfortável e opressora, um estar a falar para a parede. Deus não tem argumento possível, eu sei, mas eu também não tenho.

Ora essa, não tem importância alguma.

Diga, diga...

Qual?

Não se deve brincar com certas coisas.

O mal é esse.

Pedofilia.

O meu lado feminino

Tenho um fraquinho por homens que choram.

No entanto,

não dou grande valor ao que tenho. Não dou grande valor à fealdade. É bonito quem quer ser. Quem não quer também pode ser, mas para isso é preciso sorte e convicção.

A beleza é o melhor argumento para usar com aquela pessoa que só em último caso consideraríamos bonita, aquela pessoa que é tudo para nós antes de ser bonita. E graças a Deus que é assim; caso contrário, aquela pessoa seria apenas mais uma pessoa.

Um homem só é verdadeiramente bonito quando ainda é criança. Quando se faz homem, é apenas um homem e se, por sorte, conserva alguma coisa - uma expressão, um sorriso ou uma tolice desatenta - de quando era criança, não chega a ser bonito, é apenas um homem especial.

Eu, homem, crucificada por milhões de mulheres interessantes e outras nem tanto

Alain Delon é bonito como uma mulher com cara de cavalo.

Admirar a inteligência

sexta-feira, 20 de julho de 2007

É só fazer as contas

A vida esgota-se na razão inversa do meu uso de palavrões.