sábado, 13 de outubro de 2007
Breve maltratado das coisas que não existem [34]
azinheira spoken world
sexta-feira, 12 de outubro de 2007
Diário das Descobertas - 12 de Outubro de 2007
Abraão Zacuto apaixonou-se por uma sefardita. Só pensava em beijar-lhe os astrolábios.
quinta-feira, 11 de outubro de 2007
Coisas que foram parar à caixa de spam do autor do Abrupto
A generosidade está, desde a manhã de ontem, à beira de um canteiro da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa (e o sapato esquerdo tem um bilhete de metro dentro).
No entanto,
piaçá | s. m.
piaçá
s. m., Bot.,
nome de duas palmeiras que produzem fibras empregadas no fabrico de vassouras;
vassoura de piaçaba.
quarta-feira, 10 de outubro de 2007
Sobre sexo, sobre escrita e sobre pensamento
terça-feira, 9 de outubro de 2007
Sobre sexo e sobre escrita
Espero, ansiosa e em desespero, pelo papel digital. Só me despedaça que não se possa rasgar.
segunda-feira, 8 de outubro de 2007
Post sobre gente ou de como me esqueci de festejar o dia do animal
Há, no entanto, uma coisa que, se não aprecio, me surpreende muito nos animais. É uma coisa espiritual e religiosa. Cá em casa, por exemplo. Há a Bonnie e o Sheik. A Bonnie é uma Serra D'Aires despenteada e com ar de doida, o que até a faz parecer simpática. Vivia com um gato a que chamámos Clyde, que era preto e, por azar, foi atropelado por um carro a poucos metros de casa. O Sheik chegou depois da Bonnie, era o Cocker de um antigo guarda da embaixada da Arábia Saudita. É preto, tem uma coleira encarnada e é completamente maluco. De cada vez que se lhe enche o prato com ração ladra durante 25 minutos e depois come. Empoleira-se em cima de outros cães, como se os quisesse fornicar (que palavra de merda) e já comeu um soutien.
Não ligo nenhuma a nenhum dos dois e, no entanto, eles adoram-me. Não faço nada por eles, a não ser dar-lhes água quando não a têm disponível e mandá-los embora quando me vêm solicitar. Também fiz outra coisa por eles: não permiti que lhes dessem nomes de gente. Os cães não ficam ridículos com nomes de gente, mas as pessoas ficam ridículas com nomes de cães. Logo, se os cães têm nomes de gente e esses nomes de gente são nomes de cães, é meio caminho andado para a gente ser ridícula e, para isso, basta ser gente. Com os cães cá de casa é mesmo assim: não os aprecio, não os respeito, não os deixo entrar no meu quarto. E, no entanto, eles adoram-me. Que ser humano seria capaz de adorar alguém que se está cagando para ele, se não estivesse iludido, platonicamente apaixonado ou cheio de dor de cotovelo?
domingo, 7 de outubro de 2007
sábado, 6 de outubro de 2007
Festival Europeu de Observação de Aves
Portugal está a tornar-se um país cada vez mais aborrecido com isto de tentar atrair os ingleses.
A reportagem
(...)
João e Almir são amigos há dez anos. Até aí, nada demais. O estranho é que os dois nunca se viram. (Não, não se trata de um erro de revisão: os dois amigos NUNCA se viram mesmo). A amizade foi sendo construída sobre intermináveis telefonemas noite adentro.
(...)
Com o passar do tempo, o amigo telefônico recebeu uma missão de rara importância: trocar as cordas do violão do homem que nesse instrumento, quatro décadas atrás, inventou a célebre batida da Bossa Nova. João acha que somente Chediak, além de Luís Bonfá, é capaz de trocar as cordas com perfeição tal que é possível usar o violão logo em seguida, seja em show ou gravação.
Como João quase não sai de casa e não é chegado a visitas, um emissário ficou encarregado de levar e buscar o violão: Manelzinho, ex-funcionário do apart-hotel onde o cantor morou, hoje transformado em secretário particular.
Quando Manelzinho não podia buscar o violão de cordas recém-trocadas, João pedia a Chediak que fosse até o apart-hotel. Chediak ia e cumpria à risca o ritual: fazia-se anunciar na recepção, subia até a cobertura, dava três batidinhas na porta do apartamento 2909, encostava o violão na parede e ia embora. Dois minutos depois, João Gilberto abria a porta e apanhava o instrumento.
Com o tempo, João passou a entreabrir a porta antes que o amigo fosse embora. Mas limitava-se a esticar o braço para fora e apanhar o violão, sem nunca ver Chediak, que também não o via. A cada vez, João criava uma justificativa: um dia, estava de pijama; no outro, esquecera de fazer a barba.
Um dia, os dois combinaram um jantar, na casa de um amigo em comum, para enfim se conhecerem. João, claro, não apareceu para comer o peixe. Ligou no dia seguinte informando que a caminho do jantar parara num posto de gasolina e o frentista, que estava no seu primeiro dia de trabalho, em vez de botar a água no radiador do Monza, botou no motor. "E o pobre rapaz ainda dizia: ‘Acelera, moço, acelera que é bom’. E eu acelerava", contou João Gilberto, que aproveitou e pediu ajuda para resgatar o veículo literalmente afogado.
Frustrado o encontro, dias depois João telefonou novamente: "Sabe Almir, eu estava pensando: acho que é melhor continuarmos amigos sem nos conhecermos. Para não quebrar o encanto".»
O Apartamento Dourado
Escreve-se sobre outros blogues. Já leram este post? Não? Então é favor não espinafrar.
quinta-feira, 4 de outubro de 2007
quarta-feira, 3 de outubro de 2007
Uma má razão para não diminuir os gastos no orçamento familiar
Coisa que poderia ter ouvido de um ou outro velhote num fim de tarde no Arco do Cego
Tem um blogue? Não seja e-mundo.
Manchete do próximo Avante!, desta vez com alguma razão
Trazer trabalho para casa está no 1º lugar do ranking das coisas mais imundas do mundo.
terça-feira, 2 de outubro de 2007
Breve maltratado das coisas que não existem [33]
Ninguém que não veja calor no frio sabe quebrar o gelo. Respira só, eu gosto do teu silêncio.
901
Post novecentos de quem nunca deu uma para a caixa
Há uma vantagem - a única, se calhar - em tratar, ao primeiro contacto, os nossos semelhantes com preconceito e desconfiança. Depois disso, tudo o que vier à rede é lucro.
Como fazer o cubo de Rubik em 5 passos
1. Atire-o contra aquela parede de pedra pela qual passa todos os dias, sempre que vai a caminho da estação dos comboios.
2. Recolha os pedaços e o centro do cubo onde encaixam os cubinhos que o formam.
3. Separe as peças por cores.
4. Escolha uma face para cada cor e comece a montar as peças. Não se esqueça de encaixar bem e de ir limpando com a camisola tudo aquilo que ficou sujo de cal.
5. Guarde em casa e diga aos amigos que o resolveu.
Breve maltratado das coisas que não existem [32]
Coito interrompido. O coito que é coito tem sempre razão e fala sempre mais alto do que o resto, ou seja, é muito difícil de interromper.
segunda-feira, 1 de outubro de 2007
Tempo de qualidade
quarta-feira, 26 de setembro de 2007
Police à paisana
segunda-feira, 24 de setembro de 2007
domingo, 23 de setembro de 2007
Ode respeitosa à unilateralidade do pensamento
Avellaneda e eu
sexta-feira, 21 de setembro de 2007
quinta-feira, 20 de setembro de 2007
Belleville Rendez-Vous
*Atenção à Josephine Baker e ao Fred Astaire.
Ainda mais popular
Fui a Belas ver as belas e em Belas belas vi ,mas em Belas, dentre as belas, a mais bela eras ti.
*rectificação de um querido leitor, «p'causa da métrica».
Popular
Estavas tu, minha donzela, no alto do teu castelo; quem me dera que me contemplasses como eu te contempelo.
Frase de merda
terça-feira, 18 de setembro de 2007
O jogo das profissões (2)
segunda-feira, 17 de setembro de 2007
domingo, 16 de setembro de 2007
Pela estrada de tijolos amarelos
48 horas depois - quase em Canto de Ossanha
encerramento oficial do assunto divino, pelo menos durante as próximas 48 horas
quinta-feira, 13 de setembro de 2007
Aconchego
Eu cá sou dos Fonsecas
Eu cá sou dos Madureiras
De ferro e puro sangue
O que me corre nas veias
Nasci da paixão temporal
Do parto dos vendavais
Cresço no fragor da luta
Numa força bruta
P'ra além dos mortais
Mas tenho muitas saudades
Certas penas e desejos
E aquela louca ansiedade
Como um pecado
Meu amor se te não vejo
Olha o fado
Ora é tão vingativo
Ora é tão paciente
Amanhã é comedor
Hoje abstinente
Mentiroso, alcoviteiro
Doce e verdadeiro
Uma vez conquistador
Outra vez vencido
Amanhã é navegante
Hoje é desvalido
Sensual, aventureiro
Doido e bandoleiro
Somos capitães
Somos Albuquerques
Nós somos leões
Os lobos do mar
De olhos pregados nos céus
Em cima dos chapitéus
Somos capitães
Somos Albuquerques
Nós somos leões
Dos lobos dos mares
E na verdade o que vos dói
É que não queremos ser heróis
Olha o Fado, Fausto, Por este Rio Acima - a resposta mais pertinente do mundo.
A Deus
palavra de incentivo aos utentes da unidade de terapêutica cardiorrespiratória
terça-feira, 11 de setembro de 2007
Tratemo-nos por tu ou da ousadia por alíneas
a) Miss Woody, eu não devia dizer-te isto, mas digo: acho, e tenho pena, que me vês com muito preconceito - mais humano do que intelectual, sem ter nada que ver com os trens regionais ou com a linha de Sintra. Acredito, até certo ponto (refiro-me, sobretudo, ao de ebulição), que as palavras é que nos escolhem e, por isso, não te censuro por teres sugerido que, num divã, se pode dissecar mais do que se trata. Como qualquer pessoa que vive muito e estuda pouco ou, se preferires, como qualquer pessoa que gosta muito de pessoas, não sei escrever sem o auxílio dos outros. Se conseguir, serei justa: neste aspecto tão insignificante da minha vida, tu, a Allen e a Ana de Amsterdam têm sido autênticas missionárias. Como foi Eduardo Prado Coelho, muito embora eu pudesse ter sido bastante mais simpática com ele do que sou convosco.
[Breve interrupção para apanhar a roupa da corda. Chiça, como troveja!]
b) Não acertaste totalmente nos intentos do meu tricô - eu bem sei que as agulhas de tricô não picam nada, mas são essas que costumo usar. O ténis não é, para mim, motivo de inspiração. No entanto, o teu post sobre o ténis foi inspirador, apesar de me cheirar que, no teu blogue e na verdade, ninguém consegue ser tão imprevisível como o Woody Allen de Matchpoint. Nem todos os tenistas que conheci eram betos mas, para mim, naquele tempo em que joguei ténis, eram todos betos, todos insuportáveis. Insuportáveis como foram os meus chefes dos escuteiros. Como foi o padre, que não sabia que eu ia comungar todos os domingos sem ser baptizada. E por aí em diante. Desde que ando na terapia, gosto deles todos. O tom provocatório dos meus posts é todo de propósito. Por algum motivo que transcende os limites da razão e da higiene (não os da vida), o terapia metatísica não tem livro de reclamações e nem sequer é democrático. Gosto dele por isso.
c) Já há, na blogosfera, muita gente - demasiada - a explorar as qualidades do outro. Assim, Miss Woody, não é possível melhorar. Acho o discurso do reconhecimento do mérito e do talento muito mais catalogante e universal do que o do veneno e do defeito. E aqui podes bater que é idiossincrasia: é também muito, mas muito mais divertido! Gosto do lento-rápido, do rápido-lento e de tudo o que é agridoce. E os defeitos não se atribuem; estão, quase sempre, mais à vista do que as qualidades e, no preconceito recorrente, escolhe-se sempre a coisa que parece estar escondida. Louvadas sejam as aulas do Prof. Abel Barros Baptista - lamento, mas não virá link para o blogue Bomba Inteligente, só porque não me apetece - sobre Machado de Assis. Sabias que «O leitor atento, verdadeiramente ruminante, tem quatro estômagos no cérebro, e por ele faz passar e repassar os atos e os fatos, até que deduza a verdade que estava, ou parecia estar escondida.»?
d) Voltemos à linha de Sintra: então as pessoas não são culpadas da própria vida? Ai esse existencialismo, tão mal estudado! Morre-se bem numa passagem de nível, Miss Woody, e há, por isso, que responsabilizar quem deve ser responsabilizado. Se o heterossuicídio estivesse disseminado na nossa cultura – consta que um cantor conhecido da nossa praça suicidou a mulher; ela com um revólver apontado à própria cabeça, a dizer que se matava e ele, airoso, só lhe disse «Então mata-te!» e é claro que ela se matou - eu nunca seria julgada por tal acto. E se a insignificância matasse – oxalá não mate mesmo, pelo menos à fome – eu já não estava cá. Ninguém resiste muito tempo à adolescência e, por isso mesmo, há quem se fique pela infância que, infelizmente, só tem cama que chegue para uma ou outra sesta.
h) Com um único verso para levar a sério.
controlo logístico de precisão vocabular
segunda-feira, 10 de setembro de 2007
Carta da Tolerância - sem a bílis de John Locke
Isto de ter um blogue é muito divertido. Uma pessoa escreve a pensar que está só a escrever e, afinal, está a sentar-se na marquesa e a preparar o corpo (ombro esquerdo para baixo, braço direito mais para o lado, pernas ligeiramente flectidas e um meio suspiro contido) para uma sessão de psicanálise. Dra. Woody, deixe-me começar pelo início: é a primeira pessoa, em toda a minha curta cinematografia, que me chuta assim para dentro do consultório como se fosse essa a coisa de que mais precisasse. Acho mesmo que precisa e desculpe-me por ser assim, «directa como um comboio» (esta comparação, mais gélida e menos imaginativa do que a metáfora, entenda-se, é de Romana Petri em Os Pais dos Outros).
Não há dúvida de que, se ambas temos acesso a bons dicionários, a Dra. (espero que não se importe com esta promoção académica) faz muito melhor uso deles do que eu. Tive de ler os seus dizeres calorosos três vezes para me certificar de que, em primeiro lugar, não estava a ler nada tirado da Crítica da Razão Pura e, depois, para saber se seria possível responder-lhe com a mesma cordialidade com a qual se me dirigiu. Depois, e isto sei que é burrice minha, ainda estou para saber como é que descobriu que eu me chamo Tatiana - e olhe que não é a primeira pessoa a descobri-lo. Então e Teresa, Tareca, Tânia, Telma, Taís, Tamara, Teodora, não servia? Tinha de ser logo Tatiana? Está visto: garota da linha de Sintra, que prefere os regionais aos pendulares, que não percebe patavina de filosofia analítica e ainda por cima maltrata o Prof. Prado Coelho, só pode chamar-se Tatiana. Tê de Tudo bem, isso é o menos. Agora não me tratar por Tu? Miss Woody, acho indecenTe!
Ora bem, a discursividade universal. Há uma discursividade não universal? Se há, dê-me uma morada onde eu a possa arranjar e prometo, de promessa prometida, que não digo ao dealer que foi a senhora que me mandou lá. Já que estamos numa de transportes púbicos (acrescentar um L se necessário), só me consigo lembrar da discursividade limitada e aforística q.b. dos maluquinhos do trainspotting. Uma vez, o meu querido amigo Filipe obrigou-me a estar acordada até às 3 da manhã para ver, em Alfarelos, passar as Bombardiers. Das melhores noites que vivi. Ainda não tinha descoberto o sexo e o Count Basie não mudara a minha vida. Mudando de assunto, é verdade que os teóricos da comunicação têm distinguido, com muita dedicação e algum interesse, o discurso da linguagem. Não desvirtue só por isso, querida Dra., os meus serviços terapêuticos. Não são discurso, são linguagem. E só não são um peido de Leonardo da Vinci porque, tenho a certeza, cheiram muito melhor. A éter, às vezes.
Fala-se muito pouco dos homens discretos
daqueles que se encontram num hipermercado, a uma sexta-feira à noite, misturados com a Ágata e com os AC/DC e pelos quais ninguém, no seu perfeito juízo, daria um chavo. Tradução para quem se interessa e antes que a Sonae dê cabo do paraíso: Impulse!, Verve e Decca a preços de fábrica no Carrefour Oeiras.
Como dizia o apanha-bolas
*E escusado será falar no alívio que sinto por não precisar mais de vestir saias daquele tamanho.
Jazz com Pretas [11]
* melhor aqui, mas o autor não deixa postar; e a esta versão eu nunca resisto. Tudo isto e mais alguma coisa por recomendação divina. Em caso de dúvida, contacte o sindicato.
Educação ferroviária
sexta-feira, 7 de setembro de 2007
Diário das Descobertas - 8 de Setembro de 2007 (por antecipação)
Diário das Descobertas - 7 de Setembro de 2007
Diogo Cão tinha pelo menos uma certeza: a de que era mamífero.
quinta-feira, 6 de setembro de 2007
Presente do Indicativo do verbo voltar em versão religiosa e com omissão da segunda pessoa do plural
Eu messia
Tu messias
Ele messia
Nós não messíamos
Eles messiam mais do que tiveram.
Breve maltratado das coisas que não existem [31]
Os inquéritos de satisfação. Nunca vi ninguém responder a um inquérito sem estar contrariado.







